quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Nosferatu



" - Existem dois mundos. O mundo real, com os seus fatos e regras irritantes, onde as coisas são ou ão verdadeiras, em geral é um saco. Mas as pessoas também vivem no mundo dentro da própria cabeça. Uma paisagem interior, um mundo de pensamento."


Creio que posso dizer algumas coisas sobre Joe Hill, depois de ler seus quatro livros já publicados, no Brasil.

Ele escreve com tanta naturalidade sobre os quadrinhos Marvel, DC, sobre Dungeons & Dragons, Star Wars e demais elementos de cultura pop, sempre com referências tão geniais, que deve ser um nerd de primeira. E, pra alguém que sempre se considerou um, também, isso é espetacular.
Outro fato é que ele sabe criar vilões. Sério, seus antagonistas são desprezíveis, criaturas malignas, cruéis. Em Nosferatu, o ajudante de Charlie Manxx é totalmente odiável. Claro, o próprio Charlie é a estrela, mas o Homem da Máscara de Gás merece destaque, também.
A ideia que move a história é fantasticamente simples, executada com maestria por Hill. Se não for seu melhor livro (e aposto que é, até o momento), com certeza é o que mais me agradou. Existem indivíduos que são capazes de atravessar a fronteira entre o mundo real e o imaginário, sempre utilizando um "gatilho". Victoria McQueen, a protagonista da história, utiliza sua bicicleta e uma ponte, no bosque próximo à sua casa, para encontrar coisas perdidas. Em qualquer lugar. Com o tempo, Vic mostra que não é uma mocinha tradicional, mas com sua cota de problemas - ansiosa para encontrar encrenca. E, bem, ela pode encontrar qualquer coisa.

Charlie Manxx também tem talento para atravessar a fronteira entre mundos, utilizando seu carro. Ele, porém, é uma criatura maligna. De tempos em tempos, conduz uma criança escolhida para a Terra do Natal, seu parque de diversões sombrio - um caminho sem volta. Não restam dúvidas, aqui: é um ser saído dos pesadelos.

A história atravessa os anos, acompanhando o crescimento de Vic, suas quedas e as cicatrizes profundas que o encontro com Manxx deixou, em seu corpo e espírito. Trata-se de uma heroína repleta de falhas - e não são " defeitinhos" para torna-la mais carismática; Victoria é barra pesada. Tenta se reconciliar com seu passado, as pessoas que ama e por quem é amada, corrigir seus erros... errando mais e mais. Torci por ela, fiquei com raiva, pena, orgulho. Ou seja, totalmente apaixonante.

Completando o pacote, temos personagens interessantíssimos. Lou é um nerd master, com observações e referências interessantíssimas; um bom sujeito. Bruce Wayne (sério) é um garoto valente, na melhor tradição de jovens que enfrentam um grande desafio, nos contos de fadas. E, claro, o Homem da Máscara de Gás, que idolatra Charlie Manxx. Ele é desprezível. Acho que precisam inventar um adjetivo novo, extremamente depreciativo, para descrever esse cara. Os veículos também roubam a cena: O Rolls-Royce de Manxx, a bicicleta e, mais tarde, a motocicleta Triumph de Vic, são mais do que simplesmente transporte. Bem, pelo menos, são transportes entre mundos.

Não se pode deixar de mencionar o trabalho de ilustração fantástico de Gabriel Rodríguez, enriquecendo a história. Sem exageros, completa a trama de forma magistral.
  
Joe Hill está cada vez melhor, sem sombra de dúvida (comentei outros aqui). Nosferatu é uma luta do bem contra o mal épica, com momentos extremamente aterrorizantes. Difícil de largar, da primeira à última página.  


Título original: NOS4A2
Editora: Arqueiro
Autor: Joe Hill
Ano: 2014
Páginas: 626

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