domingo, 14 de setembro de 2014

O Inverno de Frankie Machine




"Frank saiu do carro, foi até o porta-malas e encontrou o que procurava: uma espingarda calibre doze com o cano serrado, um colete à prova de balas, um par de luvas e uma meia preta. Ele tirou o casaco, vestiu as luvas, abotoou o colete e voltou a vestir o casaco por cima. Então, firmou as duas pistolas no cinto, encaixou a espingarda na axila e enfiou a meia preta na cabeça. 
 - Vejo você daqui a um minuto, Frankie Machine - disse Mike. 

 Frank entrou pela porta."

Don Winslow conseguiu de novo.


Seus livros tem um ritmo tão frenético, tão envolvente, que você se vê subitamente envolvido, sem conseguir desgrudar os olhos, uma página virada após a outra.

Frankie Machine é uma lenda. Pistoleiro da Máfia, eficiente como uma máquina bem regulada - o que lhe rendeu a alcunha. Agora, porém, "do lado errado dos sessenta anos", Frank Machianno está aposentado. Divide seu tempo entre seu trabalho numa loja de iscas, um serviço de limousines, sua participação e ajuda na comunidade, sua filha, sua ex-esposa, sua namorada e seu tempo de surfe - a Hora dos Cavalheiros, como chamam. Todas suas atividades lhe agradam, em maior ou menor escala e, bem resolvido, o passado permanece no passado.

Mas, essas coisas sempre voltam. Não dá pra pedir demissão da Máfia, não há um plano de aposentadoria, para este serviço. Quando antigos parceiros voltam para "pedir um favor", Frank descobre que está com problemas. Sérios problemas, de vida e morte. Alguém o quer morto, sem poupar esforços para tanto. Agora, enquanto os matadores surgem em ondas, ele precisa se preocupar em sobreviver, proteger seu pessoal e descobrir quem o quer fora do jogo - e por que.

Seus oponentes logo descobrem que sua tarefa não é fácil. Ele é Frankie Machine, afinal, uma lenda. E, essas coisas não surgem sem motivo. Mesmo assim, conforme o cerco se fecha e seus recursos se esgotam, ele tenta se manter sempre um passo à frente, na caçada. Enquanto isso, revisita o passado, lembrando de antigos serviços, parceiros, as histórias que lhe deram fama. A história da Máfia, na Costa Oeste, suas ligações com o leste, seus avanços pela Califórnia e Las Vegas - num tempo em que, como descrevem, Vegas não era uma Disney com máquinas caça-niqueis, mas um lugar que fazia por merecer o título de Cidade do Pecado. 

Os flashbacks surgem, muito bem utilizados - recurso que já havia sido bem empregado em outro livro seu Kings of Cool e funcionam de forma adequada, enriquecendo a narrativa, sem enrolar. Don Winslow mostra, mais uma vez, que conhece bem a Califórnia e sua história (isso já havia ficado bem claro, em Selvagens e em Kings), desde os quase mágicos anos sessenta do seculo passado, até os dias atuais. 

O tom é de western, evocando o velho pistoleiro e seu derradeiro conflito. Conduz ao final épico, que não fica devendo nada a nenhum faroeste. Frankie Machine deixa bem claro, desde o início, que pode estar numa situação sem saída e fadado a cair - mas que vai levar muitos com ele.


Título Original: The winter of Frankie Machine
Editora: Intríseca
Autor: Don Winslow
Ano: 2014
Páginas: 353


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