quarta-feira, 25 de junho de 2014

Máquina de Armas



"Havia armas penduradas por todas as paredes. A seus pés, pôde ver uma meia dúzia delas. Ao se virar, segurando a lanterna na altura dos ombros, notou que havia armas penduradas na parede pela qual entrara. Algumas estavam arrumadas em fileiras, mas, na parede à direita, formavam complexas espirais."

Warren Ellis é um grande escritor de quadrinhos, um dos bons, mesmo. Tem lá sua excentricidades (e seu raio da morte) e já entrou em confusões com seu público brasileiro - embora não tenha tanta culpa, nesta parte (veja: http://m.omelete.uol.com.br/quadrinhos/quadrinista-entra-em-discussao-acalorada-com-brasileiros-via-twitter/ e http://m.omelete.uol.com.br/quadrinhos/warren-ellis-narra-jogo-do-brasil-na-copa-e-compra-nova-briga-com-brasileiros/). Foi, então, uma agradável surpresa encontrar sua Máquina de Armas, numa das visitas habituais à livraria.

Um competente thriller criminal, com diálogos excelentes e personagens interessantes - com destaque para a dupla de peritos e para o antagonista. Ellis demonstra um conhecimento incrível da cidade de Nova York e de sua história - Manhattan, em especial -, que tornam a cidade um personagem à parte. A trama é envolvente, com um começo explosivo e uma evolução do ritmo, conforme se aproxima do final.

John Tallow, detetive da polícia de Nova York se vê subitamente envolvido num caso que parece muito além de suas capacidades, enquanto tenta lidar com a perda gigante que enfrenta, logo nas primeiras páginas. Todos estão apenas esperando o seu fracasso - até ele mesmo. 

Há um ponto, porém, que precisa de um certo destaque... Alguns eventos são grandes coincidências, na história - um encontro, em especial, é de importância vital para o desenrolar. Um encontro casual.

Stephen King comentou sobre as coincidências, em Love. O personagem principal, um escritor, lamenta o fato da verossimilhança ser muito rígida, com as histórias. Na vida real, ele comenta, histórias inexplicáveis são recorrentes - como um cachorro que retorna para casa, depois de anos desaparecido. Num livro, isso jamais seria aceito.

Voltando à Máquina de Armas, as mencionadas coincidências atrapalham a história ou a tornam menos crível? Não, de forma alguma. Nem mesmo o importante encontro. Os coadjuvantes, como já citado, são interessantes, tão perturbados quanto qualquer outro personagem importante do livro. A metodologia do criminoso é descrita com detalhes, bem como sua maneira particular de enxergar o mundo, o que nos leva a uma certa cumplicidade - ou, pelo menos, uma compreensão de sua loucura. Tallow, o protagonista, segue a linha policial-problemático-desacreditado, enfrentando o sistema, exatamente o que se espera de um anti-herói noir. E não, isso não o torna menos interessante, nem estereotipado.

Vale à pena? Sim, definitivamente. Embarcar na Máquina de Armas de Warren Ellis vai garantir boas horas de entretenimento - com alguns momentos acelerados.


Título original: Gun Machine
Editora: Novo Século
Autor: Warren Ellis
Ano: 2014
Páginas: 314

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