domingo, 23 de dezembro de 2012

Adeus às Armas



"Não há nada pior do que a guerra. Nós aqui, nas ambulâncias, não temos como perceber o horror que é isso. E ninguém consegue acabar com a guerra, porque todos já enlouqueceram. Há pessoas que nunca se dão conta disso. Há quem tenha medo dos oficiais. É com esses que se fazem as guerras."

Hemingway, direto ao ponto. Gostando ou não, não faz diferença - ele segue em frente. Se tem uma coisa que posso dizer que aprendi com o Ernest, é que não adianta ficar se lamentando, pelo que não se pode mudar. Você aceita, e segue adiante.

Seus diálogos são sempre magistrais. Conduzidos com naturalidade sem igual, praticamente tornam o leitor mais um personagem da história, acompanhando as conversas, como se estivesse virando a cabeça de um lado para o outro.

Se, por um lado, são econômicas em descrições, suas cenas dão mais espaço à imaginação. Sabemos alguns detalhes da aparência dos personagens, revelados pelas conversas - de resto, é por nossa conta. O mesmo acontece com as paisagens percorridas, descritas pelo narrador. Ainda assim (ou, justamente por isso), a imersão na história funciona de forma muito eficaz, tornando as descrições outro elemento que ajuda a tornar o leitor em mais um personagem.

Adeus às Armas trata de um grande amor, com a Primeira Guerra Mundial como pano de fundo. Frederic Henry, o narrador, é um jovem tenente americano, servindo no exército italiano. É no exército que conhece Catherine, enfermeira inglesa, por quem se apaixona perdidamente - e é correspondido. O amor dos dois é tão intenso, tão pleno de entrega, que, tal como Romeu e Julieta, parece uma tragédia anunciada. Ultrapassa diversos obstáculos, os dois são separados e tornam a se encontrar, tornando sua união cada vez mais forte. 
 
O episódio da retirada do exército italiano é descrito por Henry (e Hemingway), traduzindo a sensação de desamparo presente - até o horror, na travessia da ponte, em que, buscando alguém para culpar pela derrota, elementos começam a se voltar contra os oficiais. O mundo enlouqueceu, restando apenas o sentimento de Henry e Catherine como porto seguro.
 
Descrito como o melhor romance americano ambientado na I Guerra Mundial, Adeus às Armas é uma belíssima história de amor, de coragem e superação. E, também, uma das mais tristes.


"- O casamento representaria muito para mim, se eu tivesse alguma religião, mas não tenho.
- Você me deu um Santo Antônio.
- Apenas para dar sorte. Alguém havia me dado a medalha.
- Quer dizer que nada a aflige?
- Só a ideia de nos separarem. Minha religião é você. Você é tudo quanto tenho no mundo
."
 
 
Título Original: A Farewell to Arms
Editora: Bertrand Brasil
Autor: Ernest Hemingway
Ano: 1929
Páginas: 352


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2 comentários:

  1. perfeita descrição,depois que conheci as obras de Hemingway fiquei apaixonado com sua maestria em descrever assuntos reais e jamais comentados com tantos detalhes e sem floreios,,Hemingway foi um ótimo escritor seus livros são ótimos

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    1. Obrigado pelo comentário, Jakson! É sempre bom, encontrar outro admirador da obra de Hemingway - e de seu estilo direto. Um abraço!

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