quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Guerra e Spray





"Algumas pessoas se tornam policiais porque querem fazer do mundo um lugar melhor. Algumas pessoas se tornam vândalos porque querem fazer do mundo um lugar visualmente melhor"

"Banksy - Guerra e Spray" não é um livro comum. Trata-se, na verdade, de um compilado de fotos da arte (ou baderna) do ativista (ou vândalo) Banksy pela Europa, EUA e Palestina. Grafiteiro, através das suas imagens ele protesta contra o consumismo, capitalismo e os policiais - eu diria que contra a propriedade privada também. É inegável que trata-se de alguém extremamente inteligente e criativo, como fazem crer as suas obras. A questão é: isso é correto?




Segundo o autor, "grafitar é, na verdade, uma das mais honestas formas de artes disponíveis. Não existe elitismo ou badalação, o grafite fica exposto nos melhores muros e paredes que a cidade tem a oferecer e ninguém fica de fora por causa do preço do ingresso." Daí, vem, então, a minha crítica. Para Banksy, não há limites para o seu grafite - e é inegável que, para o dono do espaço, os desenhos constituam um vandalismo -, e talvez o próprio autor não enxergue a contradição nas suas crenças. Ele critica o excesso de poder dos policiais e do estado e também se opõe à propriedade privada, ignorando que esta é a única garantia contra os excessos do primeiro. E que é justamente ela o cerne da liberdade. Enfim, sigamos.



O objetivo das obras de Banksy parece ser despertar as pessoas para a ação. Seja através da ironia ou do choque, o grafiteiro aproveita detalhes da paisagem e consegue encaixá-los perfeitamente à sua obra. Entretanto, para mim, o seu melhor momento são em ações em museus. Ele produz obras e as instala em museus famosos, tornando-as parte do acervo por alguns dias até alguém perceber a ironia e retirá-las. A sua "Mona Lisa" alterada (o rosto famoso é substituído por um smiley) chegou a ficar alguns dias no Museu do Louvre em Paris. Outras intervenções se deram no MoMA, Natural History Museum e Brooklyn Museum, em Nova York; Tate Gallery e British Museum, em Londres. E todas elas com fotos no livro.



Por mais que eu discorde de sua obra, não há como negar o seu talento, mesmo com todas as suas contradições. Há momentos geniais em frases: 

"se você quer que alguém seja ignorado, é só construir uma estátua de bronze em tamanho natural dessa pessoa e enfiá-la no meio da cidade"

"Pessoas com telhado de vidro não deveriam jogar pedras.
Pessoas em cidades de vidro não deveriam lançar mísseis."

"Pessoas que gostam de agitar bandeiras não merecem ter uma"



No seu site, Banksy informa que não teve nenhum envolvimento com o livro. A julgar pelos textos contidos nele, isso não parece ser verdade. Talvez seja apenas uma forma de reforçar a imagem de rebelde e inconformado. Parece que está funcionando.



Título: "Guerra e Spray"
Editora: Intrínseca
Autor: Banksy
Ano: 2012
Páginas: 240 (em papel couchê 115g)

Créditos:

Foto da capa: Blog do Barburci
Demais: Banksy site

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