sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Os Olhos do Dragão




"Os reis crescem e ficam enormes, e é por isso que têm de ter muito cuidado, porque uma pessoa muito grande pode esmagar outras menores com os pés, simplesmente andando, ou se virando, ou sentando de repente no lugar errado. Os maus reis fazem isso muitas vezes. Acho que mesmo os bons reis não conseguem evitar isso vez por outra."


Vocês já sabem que considero Stephen King um grande contador de histórias, com algumas de suas obras entre minhas favoritas. Encontrar um livro seu, iniciado com "Era uma vez..." foi, então, um achado bem interessante.

Os olhos do dragão é uma fábula, na melhor tradição dos contos de fadas, com alguns atrativos para fãs do sr. King. Acompanhando as desventuras do rei Roland e sua família, vítimas das maquinações do cruel e manipulador Flagg, o mago do reino, a história atravessa os anos. Sim, caso alguns de vocês tenham percebido, os nomes dos personagens são os mesmos da Torre Negra (lembram?). Bem antes da conclusão da Torre, Os Olhos do Dragão já flertava com a ideia de outros mundos - que viria a se tornar parte fundamental da saga dos pistoleiros.

O rei é um homem simples e, sob muitos aspectos, fraco, facilmente dominado pelo mago — seu principal conselheiro. Flagg tem planos sombrios, disposto a causar grande sofrimento para todo o reino e, durante muito tempo, não encontra oponentes... Até que, já com idade avançada, Roland encontra aquela que viria a ser seu grande amor, uma rainha de beleza, bondade e perspicácia sem igual.

Sasha, a rainha, afasta a influência maligna de Flagg, dando grande felicidade ao marido e ao reino, sendo amada por todos à sua volta. A felicidade torna-se ainda maior com a chegada do primeiro filho, Peter. O jovem demonstra, desde a mais tenra idade, possuir muito de sua mãe - incluindo um senso inabalável de justiça e caridade - longe da inépcia do pai. Peter é formidável, em tudo que desempenha, conquistando o respeito e admiração de todos. O reino parece caminhar, assim, para uma era de grandes realizações.

A situação, porém, começa a mudar, com o nascimento do segundo filho - e a morte prematura (e planejada, pelo antagonista), da rainha. Roland cai em desgraça e Flagg, uma vez mais, coloca-se em posição de tomar as decisões, manipulando o rei. Para completar, Thomas, o segundo filho, herdou muito do pai. É uma criança pouco habilidosa e facilmente conduzida pelo mago - seja por medo, seja por um amor que não encontra no pai. O pobre Thomas é condenado a viver à sombra de seu magnífico irmão, o que acaba por despertar um sentimento de inveja... Ideal para os planos de Flagg. Ainda resta, porém, um último oponente a ser removido do tabuleiro: Peter, o único que ousa se opor ao mago e enfrenta-lo.

O jovem, infelizmente, ainda não é um adversário à altura para o mago.

Falsamente acusado por um crime terrível, o primogênito do rei é aprisionado na inexpugnável torre do reino, condenado a cumprir uma sentença até a morte. Peter sabe que o reino corre grande perigo e, longe de se entregar ao destino, planeja escapar de sua pena e desmascarar o verdadeiro culpado. Seu plano, por toda a paciência necessária, lembra outro conto famoso do autor - Um Sonho de Liberdade, que também fez bastante sucesso no cinema.

É uma fábula, com toques sutis de fantasia e (Stephen King, lembrem) certas passagens aterrorizantes. Peter é o herói clássico, nunca desistindo, mesmo com todas as desgraças que se abatem sobre ele - o oposto perfeito do sombrio Flagg. Thomas também é vítima das tragédias familiares, mas, diferente do irmão, estas servem para enfraquece-lo. Grandes injustiças são cometidas, ao longo do caminho, mas tenta passar uma lição, como toda boa fábula.

O importante é perseverar, sempre. Claro, sendo Stephen King, isso não é, necessariamente, a garantia de um final feliz.


Título original: The Eyes of the Dragon
Editora: Objetiva
Autor: Stephen King
Ano: 1987
Páginas: 440

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