segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Crime e Castigo






por Breno Matos Pinheiro*
Não é um livro sobre um romance, uma investigação ou crônicas sobre o cotidiano. "Crime e Castigo" é um dos maiores clássicos já escritos na história da humanidade. E me orgulho em tê-lo comprado (na verdade, ganhado de presente da colaboradora deste site, a Carol) porque abriu horizontes em matéria de narrativa e principalmente porque mostrou a expiação d'alma humana.

Raskolnikov é um estudante de Direito que passa os dias a elaborar seu projeto de comprovar a superioridade de alguns homens em relação a outros, que lhes permitiria romper algumas normas sociais, imputadas a todos os demais homens, ou os comuns, que servem apenas de peões a sustentar a mola da sociedade.

O projeto tem basicamente a ver com um assassinato. Em si, ele não representa ambição ou vingança, somente a ideia de que uma mente suficientemente brilhante seria capaz de cometer o crime e passar incólume, pela certeza de seu brilhantismo e superioridade.

A grande questão é que mesmo para os tais homens virtuosos - ou para aqueles que apenas se julgam dessa forma mas não o são - o sofrimento e remorso pela transposição da conduta é maior do que eles podem suportar. Seja pelo ato por si, seja pelo temor constante de que outras pessoas os descubram.

Paralelo a isso, temos a visão de São Petesburgo e a classe humilde, quase indigente, que reside nos arredores de onde dorme (falar em vida é diferente) o personagem principal. Escrito em 1866, a história pode ser considerada mais uma prova dos excessos na época dos czares e da condição de miséria do populacho em geral, que seria responsável pela Revolução Russa. O pensamento de Raskolnikov precede até mesmo Nietzche e a ideia do "Übermensch", que pode ser atribuída ao escritor russo. Isso já descreve em quantos níveis embrionários esse livro cravou raízes.

A história da família de imigrantes, com um patriarca bêbado, uma mãe que viveu dias de glória na mocidade e três filhos do casal mais uma filha do bêbado, levada a se prostituir, corre paralela à de Raskolnikov. É basicamente a parte mais humana, em seu estado mais miserável, de recursos e moral, dentro do livro. Ao mesmo tempo, é de lá que surge a salvação por meio da fé.

O meio não fez o homem, como se afirma, pois este tinha meios de seguir uma vida razoavelmente tranquila. Há pessoas ordinárias e extraordinárias, segundo a tese do personagem principal. Ele perceberá que há ainda aquelas que nada mais tem em vida que as permita sonhar, mas vivem, por amor e por fé. Pessoas que, obstante toda a descrença ao redor, encontram tudo que lhes foi negado pelo mundo através da ideia de recompensa e de uma força que atua em prol dos homens justos, não necessariamente os ricos.

Leitura obrigatória para quem quer ver uma boa trama ambientada em como o que temos não diz de fato o que somos.




Livro: Crime e Castigo
Autor: Fiodor Dostoiévsk
Editora: Martin Claret
Páginas: 553
*Breno colaborou recentemente com o Fala Livros, com sua postagem sobre O Redentor, de Jo Nesbo. Quem quiser bater um papo, pode encontra-lo no twitter, como @breno_vox. Mais uma vez, obrigado pela colaboração, Breno!

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