sábado, 14 de julho de 2012

Precisamos Falar Sobre o Kevin



  Para gostar de "Precisamos Falar Sobre o Kevin'' é preciso ter espírito masoquista. Como bem sublinhado pela crítica, o leitor sofre uma bofetada a cada página e fica sedento por mais. Lionel Shriver, a escritora que ganhou espaço cativo na minha biblioteca, conseguiu prender-me nesse sádico regime por três dias consecutivos. Eu não era capaz de repousar a publicação na mesa. 

 A trama é hipnótica. Eva Khatchadourian é um espírito livre, cuja ocupação consiste em viajar pelo mundo a fim de preencher as págias de seu guia de viagem para mochileiros. Norte-americana descendente de armênios, é orgulhosa de suas raízes e não poupa críticas à nação que a acolhe. Para sua surpresa, enlaça-se com um típico ianque, exemplar caricato das expectativas e presunções que recaem sobre os habitantes da América do Norte. É para este homem ausente que dedica as cartas que compõem o livro.

 Instigada pelo marido e cheia de dúvidas e remorso, Eva observa sua barriga crescer enquanto o planeta aguarda a chegada de mais um bebê. É Kevin, que, já na sala de parto, demonstra seu descontentamento e fúria. Choros incessantes, falta de apego aos (relutantes) carinhos maternos e sessões de puxões de cabelo aplicadas nas babás é só o começo.

 Kevin é diferente, charmoso, distante, inteligente como o diabo e tão perverso quanto o tesmo. Propenso aos mais diabólicos e sutis castigos, Kevin elege Eva como objeto de desdém, desprezo e raiva. Muita raiva. Algumas passagens despertam o mais puro sentimento de pena e aflição. A trama se desenvolve desamente, sem pausas para respirar. Enquanto somos espectadores da degradação do casamento de Eva e da ruína de sua sanidade, somos apresentados ao clímax - a chacina que Kevin prome na escola, ao liquidar colegas no ginásio. Sem demonstrar piedade ou remorso - ao contrário, gaba-se de seu feito, como se fosse um comportamento digno de nota.

Resumidamente, se você gosta de um bom thriller psicológico, recomendo que vá às pressas comprar seu exemplar de "Precisamos Falar Sobre o Kevin.'' A autora nos brinda não apenas com um belo banho de sangue, mas com reflexões profundas sobre  sociedade, matrimônio, expectativas, gravidez, política e, principalmente, sobre o relacionamento de uma mãe com um sociopata.

Título: Precisamos Falar sobre o Kevin
Autora: Lionel Shriver
Páginas: 463


Obs: Há um filme homônimo, muito bem dirigido e estrelado por Tilda Swinton.

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