quinta-feira, 17 de maio de 2012

Clube da Luta



1. Você não fala sobre o clube da luta. 
2. Você não fala sobre o clube da luta. 
3. Quando alguém diz "pare" ou fica desacordado, mesmo que esteja fingindo, a luta acaba. 
4. Apenas duas pessoas por luta. 
5. Uma luta por vez. 
6. Sem camisa e sem sapatos. 
7. As lutas duram o quanto tiverem que durar. 
8. Se esta é a sua primeira noite no clube da luta, você deve lutar.


Você nunca imaginaria que sabão pode ser tão perigoso.

Chuck Palahniuk se tornou, rapidamente, um dos meus autores favoritos. Seu Cantiga de Ninar, aliás, foi uma das obras que me inspiraram nesta empreitada do Fala Livros. Seguiram-se Monstros Invisíveis, igualmente arrebatador, o angustiante Assombro e alguns outros... Agora, o clube está de volta, depois de muito tempo afastado das livrarias.

Clube da Luta foi o primeiro romance de Palahniuk, e o prenúncio de tudo que estava por vir. Estão ali os cortes, as informações totalmente inesperadas e totalmente relevantes (isso, se você quiser fazer nitroglicerina ou napalm caseiro), o humor negro, a crítica ao bom e velho American Way of Life e, claro, a vertiginosa reviravolta final. Tyler Durden tornou-se o ícone de uma geração, o líder supremo, o anti-herói, o modelo a ser seguido. Ironicamente, tornou-se pop. Marla Singer, a culpada de tudo, é o que as meninas más seriam, se tivessem a coragem de ser meninas más - e está pouco se importando com tudo isso. Robert Paulson é o mártir, merecendo seu nome, na morte. O Projeto Desordem é Destruição não busca ser a solução, mas o fim de tudo. Niilismo, a descrença absoluta. Mas, você não fala sobre o Projeto Desordem e Destruição.

Subversivo, da primeira à última linha, o Clube cresceu, talvez muito além do que o próprio autor ousou sonhar. O filme, obviamente, tem um papel fundamental em todo o "culto" que se formou, em torno deste manual de auto-ajuda do homem moderno (haha). Como não poderia deixar de ser, o sucesso causa um certo estranhamento, em Palahniuk - ele comenta sobre isso no posfácio e em outro livro seu, Mais Estranho Que a Ficção. Não é exatamente um desconforto, mas uma sensação esquisita.

O Clube da Luta pode mudar a sua vida? É até possível, mas, afinal, qualquer livro pode fazê-lo. Algumas questões são levantadas, isso é bem verdade. Realmente precisamos de tudo que acreditamos precisar? Somos apenas escravos, observando os catálogos e agindo de acordo com o que a moda nos induz? O que é realmente importante? E, até onde precisamos descer, para entender isto realmente? A fúria e as frustrações precisam ser descarregadas de alguma maneira. O clube é só uma outra forma de fazer isso, tipo uma reunião de senhoras para fazer tricô. 

No fim das contas, talvez seja apenas uma estranha história de amor. 

Cuidado com garçons.



"Há uma categoria de homens e mulheres jovens e fortes que querem dar a própria vida por algo. A propaganda faz essas pessoas irem atrás de carros e roupas de que elas não precisam. Gerações tem trabalhado em empregos que odeiam para poder comprar coisas de que realmente não precisam. Não temos uma grande guerra em nossa geração ou uma grande depressão, mas na verdade temos, sim, é uma grande guerra de espírito. Temos uma grande revolução contra a cultura. A grande depressão é a nossa vida. Temos uma depressão espiritual."



Título Original: Fight Club
Editora: Leya
Autor: Chuck Palahniuk
Ano: 1996
Páginas: 270

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