terça-feira, 27 de março de 2012

Letratorta



"Da varanda do décimo andar, o menino observa Aviam ganhar a cidade, e Aviam observa telhas rachadas, lajes infiltradas, cachorro em sono profundo, assalto, trabalhadores, mangueira carregada de frutos atacada por moleques, mais diversão que fome." 

  
A memória costuma pregar algumas peças. Estava tentando lembrar como conheci o Rodrigo, mas não consegui, de jeito nenhum. O que sei é que ele é uma amizade de mais de dez anos e que já passamos por umas boas, juntos - vitórias, derrotas, bebedeiras, até animação de festas infantis (por favor, não comentarei esse assunto, não insistam). Posso dizer que ele é um grande amigo e boa pessoa, mesmo sendo fã de carteirinha de Los Hermanos (sem pedras, pessoal).

Tudo isso serviu para reforçar minha alegria, ao ter em mãos um livro escrito pelo Rodrigo. E, devo dizer que fui completamente surpreendido. Não é que eu duvidasse da capacidade dele de fazer algo bom, é que o livro é muito bom. Desde a primeira página, você é capturado, tornando o livro quase impossível de ser deixado de lado.

Já comentei antes o quanto gosto de contos, da habilidade de contar uma boa história, com um limite reduzido e, ao final, deixar um gosto de "quero mais". Imaginem, então, os minicontos lançados pelo Letratorta, um atrás do outro, como aquela caixa de chocolates que você não consegue parar de devorar. Rapidamente, a sensação é de cumplicidade, de se tornar um observador de cada esquina, um certo voyeurismo de uma Niterói cada vez mais familiar. A linguagem utilizada pelo autor ajuda a criar esse clima informal, de conversa entre amigos, de um "causo" bem contado - sem esticar demais, sem demorar pra ir embora, deixando saudade. Claro, bate a curiosidade de acompanhar algumas histórias um pouco mais, saber o que acontece depois, mas o Letratorta não deve correr o risco de ter nem uma vírgula alterada. Suas palavras estão perfeitas, do jeito que estão.

Só me resta torcer, para que este seja o primeiro de uma longa carreira literária, de muitas letras, tortas ou não. E, claro, guardar um grande orgulho, de um bom amigo.  



Título Original: Letratorta
Editora: Navilouca Livros
Autor: Rodrigo Raro
Ano: 2011
Páginas: 214

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