quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O Forte



Olá, pessoal! Estou de volta, após um breve recesso, para desfrutar da companhia de vocês por mais um ano. Espero que a caminhada seja tão prazerosa pra vocês, quanto é para mim!


Começando o ano com um dos meus favoritos, Bernard Cornwell, uma vez mais, dá vida a uma importante batalha inglesa - com maestria sem igual, como só ele é capaz. O Forte, porém, tem um diferencial. Suas outras obras deixavam claro qual era o lado certo, para quem o leitor deveria dedicar sua torcida (ainda que este lado não fosse necessariamente "bonzinho"), e isso não acontece aqui.

A batalha em Majabigwaduce, pequeno vilarejo de Massachussetts, foi uma das mais dramáticas e memoráveis da Guerra de Independência americana. No ano de 1779, três anos depois da declaração de independência de sua antiga colônia, uma pequena guarnição inglesa retoma o vilarejo citado (cujo nome ninguém sabia dizer exatamente o que significava), com um porto de grande importância estratégica. Imediatamente, iniciam a construção de um forte, enquanto aguardam, esperançosos, a chegada de reforços. Ou, o mais provável, o contra-ataque inimigo.

A resposta americana veio primeiro, de forma avassaladora. Reunindo uma expedição militar sem igual, com uma enorme frota - e com ordens de "fazer todo o possível para aprisionar, matar ou destruir toda a força do inimigo". Com uma estrutura ainda precária (devido a resposta rápida dos que consideram rebeldes) e em número muito inferior, os ingleses, ainda assim, resistem. Semelhante a um jogo de xadrez, cada lado movimenta suas peças, com pouco sucesso ou fracasso, o que torna a situação cada vez mais desesperadora para os americanos - pelos custos da expedição e por não conseguirem sobrepujar o inimigo. Para os ingleses, cada dia de resistência é considerado uma vitória.

Ainda que sejam destacadas ações equivocadas de alguns comandantes, os dois lados são mostrados com igual respeito, defendendo duas causas que podem ser consideradas justas. Vá lá, em alguns momentos Cornwell pode até tender para seu lado inglês, mas isso não chega a ser uma parcialidade; manter o Forte George durante o longo período do cerco realmente foi um feito notável. Os americanos, porém, nunca são retratados como vilões, e alguns de seus oficiais são extremamente valorosos. A conversa entre o general inglês McLean e seu oponente, o general Wadsworth (com um trecho destacado abaixo) é um momento muito interessante, em que os comandantes demonstram um profundo respeito um pelo outro.

A Nota Histórica, no final de cada obra de Cornwell, é sempre um dos meus momentos favoritos - quando o autor descreve suas fontes, expandindo o panorama geral da história, ou revelando suas pequenas alterações, para torna-la mais emocionante. Neste ponto, O Forte é bem servido, com várias páginas de observações.

Não tem heróis tão memoráveis quanto Derfel, Uthred ou Sharpe, de suas outras obras, mas a guerra nem sempre é feita de heróis.


" - Este é o serviço do soldado, general, limpar o esterco que os políticos fazem. 
- É o que você está fazendo aqui? 
- Claro que é. O seu povo teve um desacordo com o meu, e você ou eu, general, poderíamos ter conversado até chegar a um acordo, mas nossos senhores e comandantes fracassaram em concordar. Por isso agora devemos decidir a discussão deles de um modo diferente."


  
Título Original: The Fort
Editora: Record
Autor: Bernard Cornwell
Ano: 2010
Páginas: 487



Comente usando o seu perfil no Facebook!

Nenhum comentário:

Postar um comentário