terça-feira, 29 de novembro de 2011

A Fúria dos Reis



"Gentil Mãe, de clemência fonte,

nossos filhos livre da disputa,
pare espadas, pare flechas,
deixe-os ver um melhor dia.
Gentil Mãe, das mulheres força,
ajude nossas filhas nesta luta,
acalme a ira, dome a fúria,
ensine a todos outra via."


O que esperar da sequência da Guerra dos Tronos, depois de todo o oba-oba gerado em torno da série? Mais do mesmo. Isso é algo ruim? Absolutamente não! Conforme a história toma forma, seus cenários e personagens adquirem vida própria, afastando As Crônicas de Gelo e Fogo de qualquer comparação.

Os eventos do primeiro volume tem suas consequências diretas sobre a vida de todos, com batalhas assolando o território de norte a sul - quando diversos reis erguem-se, na disputa pelo Trono de Ferro. Devo destacar que considero o autor, Sr. Martin, um psicopata genial: ele não tem pena de sacrificar seus personagens, qualquer que seja, em prol da história. Prepare-se para ama-los, odiá-los, torcer por e contra eles - e, não raramente, é a mesma figura que desperta essas sensações. Não adianta lamentar: alguns morrerão. O realismo imposto torna a fantasia crível, por mais contraditório que possa parecer.

É muito interessante como uma espécie de névoa de guerra permeia as batalhas. Não existem informações concretas, apenas versões sobre o que acontecem nos campos. A empatia, com a mãe que reza por notícias dos filhos, ou com o comandante que arrisca tudo em defesa de suas crenças, é inevitável. A Fúria dos Reis tem momentos de pura angústia, em que é impossível não ler mais um capítulo - e mais outro, até saber o que aconteceu com o personagem, uma vez que a história é contada por diversos pontos de vista.


Assim como alguns personagens do primeiro livro não aparecem por aqui, temos novas figuras surgindo; ou alguns conhecidos ganhando mais destaque. A Fúria... é um prato cheio, para quem gostou do fascinante Tyrion Lannister, e toda sua astúcia. Os atos de heroísmo são, em sua maioria, involuntários ou desesperados - mas estão lá. O bastardo Jon Snow é responsável por muitos deles, bem como a pequena e valente Arya.

A saga, enfim, é enorme. Uma coleção de histórias paralelas que, em determinado momento, convergem, para contar algo muito maior. E, apesar de todo o realismo comentado, o elemento sobrenatural está presente, sim... e muito bem representado. É uma narrativa sobre crescimento - de seus heróis, vilões, reis e dragões.



Título original: A Clash of Kings
Editora: Leya
Autor: George R. R. Martin
Ano: 2011 (edição brasileira)
Páginas: 656 

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