terça-feira, 11 de outubro de 2011

Qualquer semelhança...




Como promessa ao amigo Julio, estou tentando tornar meus posts mais frequentes. Por isso, após minha ausência no mês de setembro, retorno para falar de um livro especial. Em tempos em que perdemos um gênio da modernidade, podemos dizer que o autor da obra que comentarei adiante era, sem dúvida,
um gênio, um visionário, tal qual o fundador da "arrebatadora maçã".

Para começar, vale dizer que O Presidente Negro, de Monteiro Lobato, embora não tenha alcançado a mesma popularidade que suas obras para criancas, é uma obra especial.
Porém, para que possamos compreender a genialidade de sua narrativa, entendo que é necessário apontarmos uma crença questionável do autor: Monteiro Lobato, paulista da cidade de Taubate, era a favor da eugenia por acreditar que a miscigenação era um fator prejudicial na formação do povo brasileiro.

Eis o mote principal de Presidente Negro: um conflito racial no ano de 2228 após a eleição de um negro para a presidência dos EUA. E, mais que isso, um conflito de gêneros, onde as mulheres vêem os homens como meros instrumentos de perpetuação da raça humana, travando uma relação de atrito permanente. Como qualquer semelhança nem sempre é mera coincidência, a última edição de O Presidente Negro foi publicada justamente quando Hillary Clinton e Barack Obama travavam, no mundo real, a batalha pela presidencia dos EUA.

O Presidente Negro é uma daquelas fábulas que mesmo escritas há décadas, a exemplo de muitos clássicos, tem muito de nossa realidade. E como toda boa fábula, é repleta de conflitos de gêneros, raças e crenças, golpes do destino e dos homens, reviravoltas, um pouco de romance e um final surpreendente. Leitura muito atraente e recomendável.

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