segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Frankenstein - O Filho Pródigo



"Só estou dizendo que esse caso não se encaixa em nenhum padrão. Vocês estão procurando algo que nunca viram antes. Se quiserem pegar esse cara, vocês tem de ir a um lugar mais estranho - um nível abaixo do inferno."


Dean Koontz, já comentado por aqui (pelas histórias de Odd Thomas e pela Noite Mais Escura do Ano), apresenta sua releitura de um dos maiores mitos da Literatura - a história do monstro criado por Frankenstein. Este Filho Pródigo é o começo de uma série, que vem fazendo bastante sucesso multimídia - já surgiram versões para os quadrinhos e boatos de adaptações, seja TV ou cinema.

A interessante (e, eventualmente, assombrada) Nova Orleans é o cenário escolhido para a história que, de forma competente, combina elementos de um trhiller policial, ficção científica e, diante dos limites rompidos por esta ciência, sobrenatural. Há um assassino à solta, coletando partes de pessoas - e, na tentativa de decifrar sua identidade, acaba-se descobrindo que ele não é a única coisa sombria caminhando pela cidade que Anne Rice imortalizou em suas Crônicas Vampirescas.


Koontz ainda é mestre em criar os caras ruins (algumas moças ruins, de vez em quando) e Frankestein não foge à regra. A criatura, aqui chamado Deucalião, foi a primeira tentativa do então cientista Victor de criar vida. Utilizando-se de partes de corpos de assassinos, terminou criando algo que, ao longo dos anos, adquiriu mais humanidade que seu próprio criador - este sim, completamente desprovido de empatia ou respeito pela forma de vida inferior chamada humanidade. Tem seus planos de "cientista louco", de domínio mundial... mas, não há nada de engraçado em sua execução. Temos, assim, um homem com o exterior monstruoso, vivendo nas sombras, caçando um outro, de alma perversa, vivendo à vista de todos - e admirado.


Se faltam, em Deucalião, o bom humor e simplicidade que tornaram Odd Thomas um personagem tão carismático, para mim, essa ausência é compensada pelos policiais que investigam os assassinatos. Carson é durona, geniosa, com algo a provar, enquanto seu parceiro, Michael, é o gente boa, fácil de se fazer amizade. Não é que Deucalião não seja um personagem de que se possa gostar; a própria construção dele caminha nesse afastamento, como se o filho pródigo de Frankenstein tivesse construído uma carapaça, para protege-lo da humanidade - pela qual tanto anseia -, o que o torna interessante, em seus conflitos.

Desenvolvida sem pressa, a trama deste primeiro volume deixa claro que se trata de uma série. Victor, o cara ruim, não será atingido tão fácil assim.



Título Original: Frankenstein - Prodigal Son
Editora: Prumo
Autor: Dean Koontz
Ano: 2005
Páginas: 492

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