segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ao Cair da Noite



"O mato estava voltando a crescer no campo, e a maioria das moitas estava ficando verde, mas então eu vi algo assustador. E, mesmo que grande parte das outras coisas esteja só na minha cabeça, aquilo era real. Eu tenho fotos para provar. Estão borradas, mas em algumas delas dá para ver as mutações nas moitas mais próximas das pedras. As folhas estão pretas em vez de verdes, e os galhos estão retorcidos... eles parecem formar letras, letras que parecem soletrar... bem... o nome daquilo."


Mais um livro de contos de Stephen King; quase como reencontrar um velho amigo. O velho estilo e a certeza do que esperar... até ser surpreendido, uma vez mais. Alguns contos merecem destaque especial, por conseguirem ultrapassar certos limites de tensão, de situações extremas - e, sim, causarem uma certa apreensão. O terror pode estar próximo, numa olhadela rápida, num inimigo enlouquecido, num lugar remoto mas não completamente esquecido.

"Willa", que abre o livro, consegue manter a tensão citada, equilibrando-a com momentos sublimes. O amor, afinal, pode durar muito mais do que se imagina. "O sonho de Harvey", "Tarde de formatura" e "O gato dos infernos" são três exemplos de histórias além de qualquer redenção, sem esperanças de adiar o inevitável. "A corredora" é angustiante, claustrofóbico, uma luta pela vida, de uma mulher aparentemente frágil - mas que não se entrega - enfrentando um psicopata cruel.

"N." é o carro chefe de terror do livro. A frágil mente humana estilhaça-se como vidro, tornando-se cada vez mais obcecada, mais vítima de seus próprios transtornos, quando confrontada com criaturas inimagináveis. Sim, os mitos de Lovecraft estão presentes, a um passo, um simples rasgo na realidade, próximos o bastante para acabar com a sanidade daqueles que sabem. As tarefas mais banais podem evitar o horror, mas nunca há descanso - e, o que parece ser um complexo caso de Transtorno Obsessivo Compulsivo, trata-se, na verdade, de uma desesperada tentativa de impedir o fim de tudo.

Igualmente angustiante, claustrofóbico, aterrorizante (e qualquer outro adjetivo que eu tenha usado mais acima) é o conto que fecha o livro, "No maior aperto". Uma vingança, de um inimigo com muito pouco a perder, é a promessa de uma morte horrível, que pode fazer você torcer a boca, de nojo, em algumas passagens. Uma dica: não leia próximo das refeições, ok?

Ao Cair da Noite é, assim, sobre limites ultrapassados, não sem grande esforço, dor e agonia. Existem, porém, casos piores. Existem aqueles que não conseguem ultrapassá-los. Existem coisas que se escondem nas sombras, além de qualquer explicação, além de qualquer esperança.



Título Original: Just After Sunset
Editora: Objetiva
Autor: Stephen King
Ano: 2008
Páginas: 402

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