quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Torre Negra - A Torre Negra Vol VII



Eu não miro com a mão;
Aquele que mira com a mão esqueceu o rosto do pai.
Miro com o olho.
Eu não atiro com a mão;
Aquele que atira com a mão esqueceu o rosto do pai.
Atiro com a mente.
Eu não mato com a arma;
Aquele que mata com a arma esqueceu o rosto do pai.
Mato com o coração.

A grandiosa saga de Roland Deschain, último dos Pistoleiros, chega, inexoravelmente, ao seu fim. Após mais de 3 décadas e 4.000 páginas, o final está longe de ser unânime. Conversei com pessoas que o odiaram, com alguns que idolatraram a conclusão da história narrada pelo sr. Stephen King. Deve ser melhor assim, levantando discussões, ao invés de uma unanimidade cega.

Correndo o risco de ressaltar o óbvio, considero que a busca pela Torre terminou exatamente como deveria. O longo caminho percorrido, até encontrar a clareira perdida na floresta - até encontrar o objetivo pelo qual Roland sacrificou tudo - deveria ser recompensa suficiente, mas não é. Aqueles que acompanharem o Pistoleiro, não o farão impunemente. A Torre Negra cobra seu quinhão na partilha.

Para aqueles que já passaram por este momento, a sensação é parecida com o último dia de aula; um pouco de expectativa, ansiedade pelo que está por vir e uma certa nostalgia, por tudo que ficou para trás e não poderá ser recuperado. O ka-tet reúne-se uma última vez, mas é uma união breve, encurtada por lágrimas e chumbo. Cada companheiro que se vai deixa marcas profundas, é uma grande amigo, um filho, uma filha, um irmão. Roland, porém, segue em frente. Mesmo marcado, ferido, abandonado, ele segue em frente, rumo ao seu objetivo; avança num cenário cada vez mais catastrófico. Ele precisa provar que os sacrifícios não foram em vão, que resta esperança para o mundo que seguiu adiante.
Resta um último obstáculo, em seu caminho: O Rei Rubro.

Rei Rubro, aliás, que aparece em outras obras de Stephen King - mostrando novamente que a Torre Negra é um grande nexo, algo em torno do qual muitas de suas histórias orbitam. Uma sombra ameaçadora durante grande parte da jornada, o maior inimigo do Pistoleiro surge, aqui, em toda sua grandiosidade. Ele é o antagonista supremo, a síntese de todo o mal que permeia o mundo, aquele que uma criança morre cada vez que seu nome é sussurrado. O confronto, atendendo expectativas ou não, não deixa de ser um tributo a Eddie e Susannah, Jake e o trapalhão Oi, o padre Calahan, aos antigos Pistoleiros - que encontraram a clareira há muito tempo atrás - e a Roland Deschain. É o reconhecimento de todo o caminho percorrido. No final, o maior inimigo foi a própria história, cada um dos Pistoleiros. 
O maior inimigo foi a própria Torre Negra.

Não sei se era a intenção do sr. King, mas a Torre cresceu, rompendo algumas barreiras e tornando-se algo multimídia - como já comentei lá atrás, lembram? Saíram algumas séries em quadrinhos, pela Marvel Comics (publicadas no Brasil pela Panini) e boatos sobre filmes e séries de TV estão sempre rondando. Existe ainda uma história de Roland, "escondida" num livro de contos de Stephen King... mas isso fica pra outra vez.


Longos dias e belas noites.



Título Original: The Dark Tower - The Dark Tower Vol. VII
Editora: Objetiva
Autor: Stephen King
Ano: 2004
Páginas: 872

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2 comentários:

  1. Li o primeiro livro da série no final de 2009. De início achei estranho. A narrativa da Torre Negra é bem diferente.

    Mas, depois de um tempo, tive vontade de voltar a ler. Gostei; continuei lendo até o segundo, mas tive que parar pela faculdade.

    De qualquer modo, pretendo voltar. A série me cativou.

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    Respostas
    1. Volte sim, Rodolfo... Talvez, ao final, você tenha vontade de rever alguns pontos. Mesmo se não tiver, saiba que existem algumas histórias relacionadas à Torre Negra, escondidas por aí...

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