segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Comer Rezar Amar



Mais uma postagem encaminhada pela minha amiga Leila Frast - que já nos agraciou com sua opinião sobre o Memorial do Convento. Obrigado mais uma vez, Leila!
 
 
Uma historia pode ser diminuída pelo seu final?
 
Claro, já vimos isto acontecer em várias ocasiões quando o autor parece não ter idéia do que fazer com seus personagens.
Mas e quando esta história é real?

Não podemos mudar a realidade, contudo a sensação de que o final não faz jus à história não diminui por causa disto.
Isto é o que acontece com Comer Rezar Amar.
A historia em si é fantástica, a narrativa maravilhosa, mas o final...
Torna a historia como disse um leitor amigo em “historia de mulherzinha”.
Não é. É uma viagem sensorial fantástica!
Primeiro pelo mundo da dor. Um divórcio de alguém que ainda se ama corresponde a ter que amputar um pedaço de si mesmo que apesar de seu está doente e colocando em risco todo o resto.
Na fase seguinte do livro temos uma viagem pelo mundo dos prazeres, começando pela auto reconstrução, que se fez através  de se fornecer prazeres que qualquer pessoa podia julgar tolos, ou desmedidos, mas quando estamos fragilizados tudo que precisamos é nos fornecer prazeres, e se possíveis aqueles mais tolos e improváveis, aqueles que sempre nos negamos por conta do julgamento dos outros.
Como toda esta viagem não foi acidental, mas sim cuidadosamente planejada,  cada fase tinha sua duração e destino pré-definidos, e ao destino era deixado somente preencher os dias.
Então, na fase seguinte passamos as sensações  do espírito.
Para quem acredita e vive uma espiritualidade como a da autora, estas páginas são uma delicia! Como parece com aquilo que imaginamos que seria viver uma aventura do espírito, onde todas as sensações vem de dentro de você, e não do mundo exterior.
Como pode ser, e pela descrição dela é, prazeroso e doloroso ao mesmo tempo mergulhar fundo em si mesmo, numa viagem de resgate pessoal.
Aí, a viagem espiritual muda um pouco, e apesar de ainda continuarmos no campo da espiritualidade, esta muda de foco, e entra um Xamã na historia, que nos mostra como o mundo pode ser outro em outro país, com hábitos e costumes diferentes, e ainda assim permanecer igual.
Apesar de ter costumes diferentes, os seres humanos, sociais como somos, mantém uma hierarquia familiar em qualquer sociedade, e os pais seguem decidindo o melhor para seus filhos, cabendo a estes, dependo da sociedade na qual vivem se adaptarem ao que a eles foi designado. Isto é destino. Lá.
Aqui, na nossa sociedade ocidental, nos debatemos e escolhemos nós mesmo nossos caminhos, mas quem disse que este não era nosso destino?

A Liz dá a volta ao mundo, faz tudo que planejou fazer, algumas coisas que não planejou mas desejou, e termina a historia do modo como o destino planejou que ela fosse encerrada, e não do modo como ela planejou que fosse encerrada, nem do modo, que na minha modesta opinião uma historia tão rica merecia ser encerrada.



Título original: Eat Pray Love
Editora: Objetiva
Autora: Elizabeth Gilbert
Ano: 2008
Páginas: 342

Observação: Quem quiser, também pode ver uma outra opinião sobre Comer, Rezar, Amar - postada pela nossa colabora Claudia Villete, aqui.

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