quarta-feira, 13 de julho de 2011

Hey Ho Let's Go - A História dos Ramones



"Tinha visto Patti Smith bem no começo, quando ela tinha só um trio - era incrível, mas também era parte de um legado poético, o dos Poetas Beat. O Television tinha suas raízes no rock e no jazz, os Talking Heads também. Mas ver os Ramones era chocante.
Aquele primeiro disco separou os homens de garotos. Foi coisa para valentes."


Mesmo deixado para trás todo o deslumbramento de quando se tem 16 anos, e o mundo ainda parece um lugar enorme e inexplorado, uma coisa permanece como verdade absoluta em minha vida: o melhor show que assisti - os Ramones, em sua última apresentação no Rio de Janeiro. Ainda nas primeiras músicas, antes que pudesse me dar conta do que estava acontecendo, me vi separado dos amigos que foram comigo, no meio da roda punk mais rápida em que jamais estive, com meus óculos voando longe (sem os quais eu era praticamente cego, na época...). De lá para cá, assisti a uma infinidade de outras bandas, em megaproduções, em pequenos clubes, mas nada superou aquela pouco mais de uma hora, a crueza e honestidade absolutas, um dos melhores momentos que vivi.

O autor, Everett True, é assumidamente um fã da banda. Consegue, ainda assim, traçar um retrato tão honesto quanto a apresentação citada acima, utilizando-se de experiências pessoais e entrevistas, com pessoas próximas, personalidades e com os próprios membros da banda. É praticamente impossível evitar uma comparação com Mate-me Por Favor, grande obra a contar a história da cena punk; com o diferencial de abordar aqueles que foram considerados os maiores influenciadores do movimento, buscando os mínimos detalhes. 

Desde o começo, buscando as bases de cada um nos anos pré-banda, às histórias dos bastidores, da indústria da música, os problemas nas relações interpessoais... tudo que fez os Ramones serem os Ramones. Muitas "lendas" são desmistificadas, o que acaba por humanizar as figuras, tornando-os mais reais e com (muitas) falhas. Ironicamente, conclui-se que o título de "punks" foi o maior entrave de suas carreiras, fechando muitas portas; algo contra o qual tentaram lutar, no princípio... até que, conformados, o abraçaram. Sim, seriam outsiders - mas too tough to die.

O livro é bastante rico em suas fontes - artigos, o próprio Mate-me Por Favor, a autobiografia de Dee Dee Ramone, Coração Envenenado, entrevistas, entrevistas, entrevistas... É interessante perceber como grandes bandas da atualidade, vendedores de milhões de discos, grande parte do cenário mainstream do rock, citam os Ramones como ídolos e principal influência, como aqueles que abriram portas - e, ainda assim, como a banda demorou para alcançar o sucesso desejado - se é que o alcançou. O Brasil e Argentina são bastante citados, devido à histeria (a palavra é exatamente essa) causada pela banda, em suas turnês locais, onde chegaram a vender mais ingressos que os Rolling Stones, quando excursionaram por aqui, na mesma época.
O tom melancólico, próximo do final, é motivado pelo que o autor considerou que seus ídolos estavam se tornando: um tributo de si mesmos, sem o brilho e o impacto que os tornou diferentes de tudo, vinte anos antes.


Ainda assim, são os Ramones.


Editora: Madras
Autor: Everett True
Ano: 2005
Páginas: 480



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