domingo, 24 de julho de 2011

A Cidade dos Hereges




“Perdoa-me, padre, porque pequei.” São essas as palavras que católicos proferem quando decidem ir ao confessionário para se eximir pelas coisas vis que tenham feito. Mas será que passa pela nossa cabeça que aquele membro da Igreja é um ser humano, assim como nós? Que também tem qualidades e defeitos? Quantas vezes não vimos reportagens anunciando crimes sendo cometidos por aqueles que deveriam ser exemplo de castidade, pureza e compreensão?

Esta é, mais ou menos, a abordagem de Cidade dos Hereges. Desvendando o cenário político e eclesiástico que pairava sobre a França durante o período medieval, o livro é chocante. Começa logo com uma cena de estupro, envolvendo um padre e uma criança.

Aconselho a qualquer um (que se proponha a ler essa obra) a superar essa perplexidade inicial, pois que a proposta do autor Frederico Andahazi é exatamente essa: tratar de temas que aparentemente não se conciliam, como religião, amor e sexo. Tudo isso misturando com críticas à organização da sociedade, política, ganância e passagens escritas por figuras religiosas e beatificadas.

A narrativa principal é um romance. Gira em torno do amor que nasce entre dois jovens,sendo,em si, uma história romântica apimentada. O pai da menina é altamente ignorante e ganancioso, pouco preocupado com o bem estar da filha e obcecado com fama e fortuna. Ele apenas dirige atenções ao filho e ao dinheiro e, tal qual muitos homens de sua época, trata a garota como um objeto de troca.

O ponto alto do livro consiste nas cartas trocadas entre a filha e seu amado, ambos atrelados à vida celibatária de instituições religiosas distintas, por motivos diferentes. Trancafiada em um convento, a protagonista tenta reconquistar o seu par, que está remoído por dúvidas e culpa. A forma que consegue para expor o que pensa e sente é escrever sobre o comportamento humano e sua titubeante crença religiosa. As cartas são lindíssimas e encontram respaldo em passagens bíblicas e sermões de santos e santas. Algumas passagens são de chorar pela forma sincera e linda como escreve. Outras, são de rir de nervoso, como as cenas de exorcismo e orgia.

Sim, o escritor argentino nos traz uma leitura polêmica e incômoda. Porém, o final é surpreendente, triste e capaz de fazer brotar lágrimas nos olhos do mais frio e cético leitor. Vale muito a pena ter "Cidade dos Hereges'' na praleteira.

Nome: A Cidade dos Hereges

Autor: Frederico Andahazi

Editora: Planeta do Brasil

Número de páginas: 263



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