quarta-feira, 15 de junho de 2011

Cidade da Penumbra




"...o sujeito considerado o mais maluco de todos por um bando de malucos é, talvez, a única mente sã."

Cidade da Penumbra é a volta de Lolita Pille, alguns anos após seu último romance, Bubble Gum (na fila, comento algum dia, por aqui). Distante da loucura acelerada de Hell, este aqui, bem mais lento, é uma interessante mistura de sci-fi com atmosfera noir.
Bebendo da fonte de grandes obras do gênero, a srta. Pille mostra que fez bem sua lição de casa: o clima de sua narrativa passa por momentos que evocam sensações de reconhecimento aos leitores de Admirável Mundo Novo (ou aqui), 1984 ou Blade Runner.
Quase dá para acreditar que a história de Syd Paradyne passa-se num dos universos criados por estes autores; estão ali as drogas legalizadas, a libertinagem incentivada, o controle absoluto de cada passo, o mundo civilizado opondo-se ao desconhecido e temido selvagem, além das fronteiras.

Não é só a atmosfera que segue uma receita - os protagonistas da história também são tudo que se pode esperar de personagens noir. Syd Parayne, policial, barba por fazer, alcoólatra, sujeito durão, no limiar da derrota ou de uma amarga vitória, alguém que você esperaria encontrar nas histórias da Sin City, de Frank Miller - assim como Blue, a dama misteriosa, por vezes femme fatale, por vezes indefesa e necessitando de proteção.

Cidade da Penumbra é, enfim, Lolita Pille mais madura, contando uma história interessante - em outro ritmo, sem toda a fúria visceral com a qual surgiu para o mundo. O problema surge no caso de alguns leitores terem se cativado justamente por este lado, bem distante no "futuro" que se apresenta.


Editora: Intríseca
Autora: Lolita Pille
Ano: 2010
Páginas: 303

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