sexta-feira, 6 de maio de 2011

Odd para sempre



Pessoal, fiz o possível para evitar, mas esta postagem pode conter alguns spoillers para quem não leu Odd Thomas (e, por sinal, não sabe o que está perdendo).

Odd Thomas, genial criação de Dean Koontz, está de volta. O título de sua nova história, Odd para sempre, é um trocadilho bacana que, infelizmente, se perde na tradução - Odd pode ser entendido como excêntrico ou esquisito, o que nos levaria a algo do tipo "Esquisito para sempre" - uma piada usada várias vezes, pelo próprio Odd

O que, afinal, o torna um personagem excêntrico, além de sua capacidade de ver os mortos (como se isso fosse pouco)? Sua forma de ver a vida, a naturalidade com que encara o desenrolar dos fatos à sua volta - muitos sobrenaturais

Fundamentalmente uma boa pessoa, Odd ainda encontra-se abalado e deprimido, pelos eventos contados no primeiro livro, por sua trágica perda. Neste momento vulnerável, ele precisa lidar com o sequestro de seu melhor amigo, Danny, e confrontar uma perigosa psicopata - com o agravante de que, desta vez, ele é o alvo. Obcecada com o oculto e sabendo dos segredos do protagonista, Datura quer forçar Odd a agir, demonstrando seus poderes, e utilizará dos meios mais cruéis para alcançar seu objetivo.

Uma vez mais, Dean Koontz é mestre em criar antagonistas realmente malignos - principalmente ao confronta-los com vítimas extremamente frágeis, como é o caso de Danny. Datura e seus capangas são facilmente odiáveis, sem gerar nenhum sentimento dúbio com relação às suas motivações. Ainda que Odd possa parecer ingênuo demais em alguns momentos, esta é uma história de redenção, em que ele precisa fazer as pazes consigo mesmo, e crescerá bastante no decorrer da narrativa.

Com uma participação menor que em Odd Thomas, alguns coadjuvantes estão de volta, Elvis (o rei) entre eles. Na minha postagem sobre a primeira história do cozinheiro que vê os mortos e segue o bom caminho, manifestei uma preocupação, se novas aventuras de Odd conseguiriam manter o nível, se o personagem não seria enfraquecido. Koontz deu conta do recado, não contando apenas mais uma história, mas mostrando a evolução de sua carismática criação.


"Ainda duvidando, ela disse:
- Seria muita sacanagem sua, você me abandonar com uma mentira.
- Não faria isso. Além do mais, não posso ir aonde quero por meio do suicídio, seja ele consciente ou não. Tenho minha estranha vidinha para tocar. Levá-la da melhor maneira... é assim que vou conseguir minha passagem para o lugar onde quero estar. Entende o que digo?
Cheguei ao pé da escada e segui para a rua. Não olhei para trás, mas conseguia ouvi-la chorando baixinho."


Editora: Record
Autor: Dean Koontz
Ano: 2005
Páginas: 367

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