quinta-feira, 19 de maio de 2011

O Pequeno Livro do Rock



Fabuloso.

Pare o que estiver fazendo e vá "ouvir" este livro. Uma verdadeira enciclopédia musical, as ilustrações do francês Hervé Bourhis saltam das páginas, são um deleite para os olhos. Sua dedicação ao trabalho é impressionante, ainda que, em alguns momentos, ele pareça estar se  divertindo mais que qualquer um.
O Pequeno Livro do Rock é, ao contrário do que diz o nome, enorme, sem ser pretensioso. 

Cumprindo sua proposta de contar a história do Rock 'n Roll, desde seu estágio embrionário até os dias atuais, Hervé acaba por narrar a trajetória de algumas eras, de costumes próprios de cada tempo - partindo dos elementos fundamentais, que ajudaram a garantir ao estilo seu caráter contestador, subversivo, até o mainstream dos milhares de dólares e estádios lotados. 

 
Desde a criação da Jukebox, os primeiros bluesmen, o rock-a-billy, as primeiras (e estúpidas) mortes do Rock 'n Roll, O Pequeno Livro tenta contar, à sua maneira, a história do ritmo. Ainda que não seja completo e algumas ausências sejam sentidas, como alguns podem apontar (o próprio autor deixa isso bem claro, na última página do livro), é repleto de histórias que, com o tempo, assumiram o status de lendas, de folclore de algumas gerações.

Repleto de grandes nomes, de pouco conhecidos - embora fundamentais -, acompanha as divisões, cada estilo, cada vertente. Hippies, Punks e Headbangers estão separados por algumas páginas, com encontros ocasionais (que não acabam muito bem). Conforme avançam os anos e as páginas, bate uma certa nostalgia, uma sensação de que o melhor ficou para trás, em que apenas uma ou outra migalha ocasional pode salvar o que sobrou. Felizmente, porém, O Pequeno Livro pode e deve ser relido, muitas e muitas vezes - como aquele disco excelente, que não conseguimos parar de ouvir, repetindo-o até a exaustão.

Devo destacar, também, o bom trabalho da Editora Conrad, no acabamento do livro. Embora seu tamanho seja diferente dos 17 cm originais (um EP de 45 rpm), sua justificativa é boa - melhorar a visualização dos desenhos e textos do autor.

A melhor descrição do livro acaba sendo a do próprio autor:

"Eu jamais tive uma overdose,
Não vi os Sex Pistols no Chalet du Lac,
Não estive no Bronx nos primórdios do hip-hop,
Não vi os Beatles ao vivo no Ed Sullivan Show,
Não fui aos shows do Elvis em 55,
Não compartilhei groupies com o Led Zeppelin,
Não presenciei o encerramento do Open Market,
Não sou um crítico de rock profissional,
Não tenho vontade de ser completo,
Objetivo ou de boa-fé.

Em suma, não tenho nenhuma legitimidade para escrever este livro,
e foi por todas essas razões que eu mesmo assim o escrevi.

Este livro é uma homenagem aos músicos, artistas gráficos, desenhistas,
escritores, jornalistas, que fizeram minha vida e a de muitos outros
um pouco menos triste, um pouco menos careta."


Editora: Conrad
Autor: Hervé Bourhis
Ano: 2010
Páginas: 224

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