terça-feira, 31 de maio de 2011

Belas Maldições



"- Vou lhe dizer uma coisa - disse Crowley. - Hora de pôr as cartas na mesa. Eu te digo as nossas se você disser as de vocês.
- Tudo bem. Você primeiro.
- Ah, não. Primeiro você.
- Mas você é um demônio.
- Sim, mas um demônio de palavra, espero.
Aziraphale disse o nome de cinco líderes políticos. Crowley deu o nome de seis. Três apareciam em ambas as listas.
- Está vendo - disse Crowley. - É como eu sempre disse. Humanos são uns traidores desgraçados. Não se pode confiar nem um pouco neles."


O título completo do livro, na verdade, é Belas Maldições: as belas e precisas profecias de Agnes Nutter, bruxa - Romance.

Posso ter uma visão um pouco equivocada, mas parece-me apropriado encerrar este mês de maio (no qual um pessoal andou anunciando que o mundo deveria ter acabado, mas não acabou, como bem sabem) com a versão dos senhores Neil Gaiman e Terry Pratchett do Apocalipse e total obliteração da vida, como a conhecemos. E, devo registrar, o fim do mundo tornou-se extremamente divertido, com toda sutil ironia e acidez do humor inglês dos distintos autores.
Desde o pequeno aviso, nas primeiras páginas, até a biografia dos autores, na orelha do livro, Belas Maldições traz um apanhado de pérolas, muito bom para ser lido e relido, sem preocupação de "repetir a piada". 
A premissa é simples: as Belas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, o único guia totalmente confiável sobre o futuro, indica que o Armagedon virá antes do que se imagina - no próximo sábado, na verdade. Isso acaba tornando-se um contratempo para o demônio Crowley e para o anjo Aziraphale (do diálogo acima). Os dois gostam das coisas como estão - e, embora em lados opostos, costumam até se dar bem, mantendo um relacionamento cordial, ao longo dos milênios de coexistência. Decididos, assim, a impedir a inexorável batalha entre os exércitos do Céu e do Inferno e subsequentes mares de fogo ou qualquer outro efeito colateral do Apocalipse, Crowley e Aziraphale partem para o tudo ou nada.
Isso significa deter os Quatro Motoqueiros do Apocalipse, atravessar o caminho de bruxas e caçadores de bruxas e, principalmente, matar o Anticristo - um grande problema, uma vez que ele é um bacana garoto de onze anos, acompanhado de seu cachorro, Cão (na verdade um cão do inferno).

Sem passar nem perto de ser um besteirol, Gaiman e Pratchett narram uma deliciosa história - com um destaque para a genial participação de Freddie Mercury e do Queen, "possuindo" as fitas do carro de Crowley. Uma visão diferente, divertida e inteligente, em que o pior que pode acontecer não é a vitória de um dos lados, mas o domingo


Editora: Bertrand Brasil
Autores: Neil Gaiman & Terry Pratchett
Ano: 1990
Páginas: 374

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