sábado, 30 de abril de 2011

Reações Psicóticas e Merda de Carburador



Há livros que mudam vidas, que nos fazem refletir sobre o que somos e o que queremos. "Reações Psicóticas e Merda de Carburador" mudou completamente a minha maneira de escrever e, consequentemente, de me comunicar. O livro é, na verdade, uma coletânea de artigos escritos pelo maior crítico musical de todos os tempos, Lester Bangs.

Lester escrevia sobre uma banda em 40 páginas. Das suas linhas sobre um novo disco, saiam reclamações contra o mundo, reflexões antropológicas e, claro, linhas brilhantes sobre música.

Por ter trabalhado nos anos 60 e 70, Lester pegou uma era de muita atividade musical. As revistas proliferavam por todos os cantos, bem como as bandas. Havia material de sobra para escrever e gente disposta a lê-lo.

Há uma lição nos textos de Lester: a paixão. Das suas linhas, escorre o amor por aquelas notas sobre as quais ele escreve. Através delas, ele fala sobre a sua vida. E o mais atraente da escrita de Lester é que ele não se resume à música - a qual ele, obviamente, era perito. Ele vai além e alia a música a muitos outros assuntos, analisa os fãs e faz você sair expert em um grupo sem ter a menor ideia do que, afinal, eles tocam.

E por uma dessas coincidências do destino, quando eu vou procurar sobre a data de sua morte, descubro que foi exatamente há 29 anos, por overdose. Ou, segundo Mickey Leigh (irmão de Joey Ramone que montou uma banda com Lester), "ele morreu de tédio pela música dos anos 80 ser uma porcaria". Quem viu o filme "Quase Famosos" (o link é para uma parte sensacional) pode entender melhor ainda essa reação do crítico com a música.

OK, eu não acredito em coincidências.

Lester não idolatrava músicos, mas a sua obra ("é somente um cara, apenas outra pessoa [sobre rockstars]"), mas isso não o impedia de criticar uma obra (como ele fez com o "Kick Out the Jams", do MC5) ou adorá-la ("The Greatest Album Ever Made" sobre o "Metal Machine Music" do Lou Reed).

Lester Bangs era romântico. E isso faz falta, tanto na música como em qualquer forma de arte. Até em um simples texto.

Obrigado, Lester.

OBS: a minha versão é a americana de 1988. A brasileira saiu em 2005 pela Conrad com apenas 134 páginas. A original tem 390. Acreditem se quiserem.

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