sábado, 23 de abril de 2011

Morto Até O Anoitecer



"Esperei pelo vampiro durante anos, até que, um dia, ele entrou no bar."


Vampiros. De novo.

Diante da atual vampiromania - que já começa a mostrar alguns sinais de desgaste, devido à superexposição (e não ao sol) -, devo concluir que o poder compartilhado pela nova safra de sugadores de sangue é a onipresença. Eles estão por toda parte: filmes, livros, quadrinhos, música, até na escola, vejam só. Nem mesmo o Lestat, de Anne Rice, em seus sonhos mais megalomaníacos de rock star, seria capaz de vislumbrar um cenário em que os desmortos seriam tão pop.

Nesta avalanche de caninos afiados, a chave para conseguir algum destaque pode ser a realização de algo diferente, alguma história que fuja do lugar comum - guardados os devidos excessos, para não comprometer demais as criaturas pálidas. Com esta visão, posso concluir que tiveram sucesso Kizzy Isatis, com seu Clube dos Imortais (comentado pela Caroline) e Chuck Hogan e Guillermo del Toro, com sua Trilogia da Escuridão (ainda não concluída por aqui). Estes autores, assim como Anne Rice à sua época, conseguiram mostrar vampiros sob um outro ângulo, sem deturpar sua essência. Aqui, posso incluir Charlaine Harris e sua crônicas de Soockie Stackhouse - que não é vampira, por sinal.

Partindo de uma premissa simples: foi desenvolvido um sangue sintético - até com tipos sanguíneos diferentes! -, que permite aos vampiros sobreviverem, sem que precisem utilizar os humanos como gado. Não existe mais a necessidade de se esconder, uma vez que não representam mais ameaça. Os vampiros passam a conviver com mortais, passam até a lutar por direitos iguais! Existem, é claro, insatisfeitos com esta nova situação, tanto vampiros quanto humanos, dispostos a fazer o necessário para que estas relações não tenham futuro.

Este é o cenário em que se desenvolve a história de Soockie Stackhouse e do vampiro Bill Compton - pois é, Bill. Na pequena Bon Temps, Louisiana, os dois se conhecem no bar em que ela trabalha como garçonete e, bastam poucos capítulos para partir daí para uma atração irresistível. Soockie, porém, também não é exatamente o que aparenta; a moça é uma telepata, capas de ouvir os pensamentos dos outros à sua volta. Piorando ainda mais a situação, misteriosos assassinatos começam a acontecer, apontando para a ação de um serial killer - e, quem melhor que o novo vampiro da cidade, como suspeito?

Morto até o anoitecer é o primeiro livro das crônicas da garçonete criada por Charlaine Harris, que alcançou notoriedade graças à série televisiva do canal HBO - e, devo admitir, da qual sou grande fã. Os vampiros de Charlaine não são bonzinhos, nenhum deles. O sangue sintético pode suprir os nutrientes necessários, mas, ainda assim, eles preferem sangue - e existem outras necessidades que também precisam ser satisfeitas...


Editora: Ediouro
Autora: Charlaine Harris
Ano: 2001
Páginas: 314

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2 comentários:

  1. Yo no creo!

    Quer dizer que você está aderindo as leituras vampirescas?? hahaha...

    Gostou do livro? Charlaine é ótima narrando uma história. Eu li os 10 livros desta série lançados e todos nos prendem. A história viaja muito, não tem um "fio" que a prenda a algo coerente, mas Charlaine consegue contornar isso com um enredo muito legal e personagens bem definidos. Eu amo a série!

    Mas se você quer um livro de vampiro, com uma visão um pouco diferente e um enredo PERFEITO, aposte em "Crepúsculo Vermelho" e "Lua Negra", uma série da autora brasileira Laura Elias. Quando descobri estes livros fiquei fascinada e virei super fã dela. Ninguém escreve melhor! hahaha

    bjux e saudades!

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  2. Oi, moça! Desculpe a demora pra responder...

    Bem, não posso dizer que esteja aderindo aos vampiros, uma vez que nunca me afastei tanto, assim... Li as Crônicas, da Anne Rice, uns 15 anos atrás e, de lá pra cá, o Drácula, de Bram Stocker, A Hora do Vampiro, do Stephen King, alguns excelentes contos do Neil Gaiman e outras histórias interessantes - e algumas nem tanto.

    Ainda olho um pouco torto, é verdade, para o modismo e hiperexposição atual, que acabam por gerar um desgaste da imagem das criaturas - mas, admito, é coisa da minha cabeça; devo estar ficando velho ;)

    Vou prestar atenção nas suas indicações, pode deixar!

    Beijo!

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