quinta-feira, 7 de abril de 2011

Hell - Paris - 75016



"Como digna herdeira de gerações de mulheres da sociedade, passo muito tempo na boa vida cobrindo de esmalte minhas unhas; folgada tomando banho de sol; com a bunda sentada numa poltrona com a cabeça entregue às mãos de Alexandre Zouari, ou olhando vitrines na rue du Faubourg-Saint-Honoré, enquanto vocês passam o tempo todo trabalhando para pagar as porcariazinhas de que precisam.
Sou o mais puro produto da geração Think Pink; meu credo: seja bela e consumista."


Romance de estréia de Lolita Pille, Hell tornou a moça persona non-grata em alguns círculos, na sua Paris natal. 

Uma espécie de Barrados no Baile do inferno, conta um pedaço da história de uma juventude rica, bastante rica, que preenche seu tempo com sexo, drogas, álcool e, claro, roupas de grife. Hell, alter ego da protagonista, não nega suas falhas de caráter, sua futilidade, arrogância, vícios ou promiscuidade - mas também não faz apologias a nada disso. Ela reconhece o que é, assim como reconhece que nada disso a torna feliz; mas está pouco se importando com isso. Sua euforia não é causada pelas luzes da Cidade Luz, mas por cocaína, muita cocaína.
Tudo em Hell é exagero. Seu lado ruim é péssimo, quando resolve ser boa precisa abandonar todos à sua volta, seu amor é passional, repleto de manifestações e arroubos, repleto de brigas violentas e entrega total. Seu ritmo é trágico e intenso, como a Traviata de Verdi
Com o coração dilacerado, ela precisa ferir todos que se aproximam, ferir principalmente à si mesma, provar que ainda não desceu o bastante, que ainda não conspurcou-se o suficiente para expor toda a sua dor. Quando, ainda assim, tudo que lhe resta é seguir em frente e continuar vivendo, Hell sabe que não irá deixar de frequentar as milionárias boates exclusivas a que está acostumada. Seu guarda-roupa Gucci não permite.

Rápido, furioso como um Porsche sem controle cruzando sinais escarlates, Hell é arrebatador. Pesado, sem limites na linguagem, causa impacto.


Editora: Intríseca
Autor: Lolita Pille
Ano: 2002
Páginas: 205

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