segunda-feira, 4 de abril de 2011

Febre de Bola




"É apenas um jogo" é a pior frase que existe. Não há ofensa que possa se equiparar a ela. A sua formulação é a negação de boa parte do universo de milhões e milhões de pessoas ao redor do mundo que acreditam que um uniforme, um estádio e uma história são muito mais do que parecem.

E é isso nesse universo que se situa "Febre de Bola", do sensacional Nick Hornby. O livro é, na verdade, uma espécie de diário do autor. Ele tem início na infância, onde um relacionamento conturbado com o seu pai (que era separado da sua mãe) ganha vida através do futebol - o único ponto em comum dos dois. A partir daí, a relação de Nicky com o pai será cada vez mais eclipsada pelo amor ao Arsenal.

Assim o livro se desenvolve. Cada jogo serve de reflexão sobre o relacionamento do autor com o time, com mulheres e com o mundo. Porém, Hornby é capaz de ir tão a fundo ao dissecar a alma de um apaixonado por um clube que chega a constranger. E o livro é recheado de questionamentos, muitos dos quais ele mesmo não é capaz de achar respostas, como o que eu reproduzo abaixo e que pode ser o ponto de partida para tudo:

"Afinal, o futebol é um ótimo jogo e tudo o mais, mas o que diferencia aqueles que se satisfazem com meia dúzia de jogos por temporada - assistindo às grandes partidas e se afastando das peladas, numa postura certamente sensata - daqueles que se sentem obrigados a comparecer a todos?"

Hornby vai tachar essas pessoas de obsessivos, inclusive ele, claro. Logo no início, ele decreta: "mas é que nós, obsessivos, não temos escolha; temos de mentir em ocasiões como essa. Se disséssemos a verdade todas as vezes, seríamos incapazes de manter um relacionamento com qualquer pessoa do mundo real".

Para aqueles que nunca acordaram com "um turbilhão nervoso no estômago, sensação essa que ia se intensificando até o Arsenal conseguir uma vantagem de dois gols", "Febre de Bola" "é apenas um livro". Mas para você que olha de lado e coça a cabeça quando algum extraterrestre quer marcar algum compromisso para um domingo às 16h, "Febre de Bola" deve estar lá, em destaque, na sua estante.

"Febre de Bola" é mais do que o meu livro preferido, é minha bíblia.

OBS: Existem duas versões em filme. Uma com o Colin Firth, de 1997, que é sensacional. E outra americana, de 2005, com a Drew Barrymore que dispensa comentários. Mas esta é sobre baseball. Prefira a de 1997, se tiver que escolher.

Título: Febre de Bola
Autor: Nicky Hornby
Editora: Rocco
Ano: 2000


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Um comentário:

  1. Não conheço a versão do Colin Firth, mas me identifiquei com o fanatismo do Jimmy Fallon na versão americana (não por acaso o time que eu dou algum valor no baseball é o Red Sox). Anotado aqui, é o 13º (opa) livro na lista de compras... preciso logo de um estágio.

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