domingo, 17 de abril de 2011

Capitães da Areia





Sozinhos, sem proteção, vivendo de acordo com a própria lei. Sobrevivendo pedindo esmolas e realizando pequenos furtos. Fogem da polícia, rezam, brigam. E brincam. Afinal, são crianças.


“Capitães da Areia” é uma das mais conhecidas obras de Jorge Amado. Já foi adaptada para peças de teatro diversas vezes e está sempre sendo posta em debate. Fala sobre os meninos de rua de Salvador, na década de 30. O livro é dividido em três partes: “Sob a lua, num velho trapiche abandonado”, “Noite da Grande Paz, da Grande Paz dos teus olhos” e “Canção da Bahia, Canção da Liberdade”. Cada um desses capítulos se parte em vários subtítulos, como é costume nas obras do autor.




São dez mini anti heróis que nos deliciam com suas características próprias e estratégias para burlar as limitações presentes no cotidiano. São eles: Pedro Bala (que é o líder), Gato, Volta Seca, Professor, Boa-Vida, Sem-Pernas, João Grande, Pirulito, Loiro e Almiro. No decorrer da trama, uma nova integrante se une ao grupo: Dora. Causa grande comoção no tapiche, pois passa a agir como mãe dos meninos. É aí que os valentões não conseguem deixar de se emocionar e tratam-na com muito carinho e atenção. De início, tentam uma aproximação diferente, mas Pedro Bala deixa claro que a quer para ele.




Pedro e Dora são um dos casais mais fofos que já conheci. Não fazem exatamente o estilo “Romeu e Julieta”, mas terão que enfrentar dificuldades em prol dessa união. O autor cuidou de carregar essa experiência de suavidade, o que contrasta muito bem como toda a violência das ruas. No meio de brigas, assaltos, lágrimas e falta de afeto, surge essa entidade feminina, protetora e bonita, trazendo alento e paz para as crianças.




A subtrama que mais me interessou foi a do Sem-Pernas, moleque coxo, caçoado e perseguido pela polícia, que resolve aplicar um golpe e acaba se deixando envolver pelas pessoas entrelaçados nele. O dilema moral que enfrenta não é assunto de criança, e foi facilmente capaz de me tocar. As outras histórias paralelas também são bem desenvolvidas e cheias de temas que não deveriam ser alvo de reflexão infantil.




O último capítulo nos deixa saber quais são os destinos dos garotos abandonados, desmantelando o grupo Capitães da Areia. Não sem antes explorar todos os elementos presentes na Bahia de então: capoeira, religião, divisão social, miséria, doença, fome, falta de solidariedade, juventude e grosseria. Todo esse apanhado tornou o livro um dos mais polêmicos de Jorge Amado, ainda em seu lançamento, em 1937.




Nome: Capitães da Areia


Autor: Jorge Amado


Editora: Record


Páginas: 234


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