quarta-feira, 27 de abril de 2011

Canalha, substantivo feminino.




Há muitos mitos acerca da relação homem-mulher. Mas existe uma figura em especial que é recorrente no imaginário popular: o homem canalha. Todos nós, certamente, já conhecemos, somos, ou fomos um indivíduo assim. Aquele garoto inteligente, divertido, bonitinho, pelo qual milhares se apaixonam em segundos - e são dispensadas com a mesma velocidade. O típico "Charlie Harper" da série Two and a Half Man.

O livro em comento procura subverter essa lógica ao inverter os personagens. Ao descobrirem que o universo masculino gira praticamente ao seu redor, as moças tendem a usar esse "poder" em seu benefício. E aí, abrem-se as portas para comportamentos cretinos e até mesmo cruéis. É exatamente isso que Larissa, Cristina, Ângela, Diana, Ingrid e Marina nos revelam, ao exporem suas vidas e intimidades no livro. Claro, é tudo fictício, por mais que a autora tenha dito que buscou inspiração em pessoas reais.

O aspecto mais interessante é que as idades das personagens variam entre 20 e 50 anos, passando por alguns dos fetiches mais conhecidos, como a estagiária novinha, a mulher madura que sabe seduzir; e assim por diante. Nenhuma delas tem crise de consciência e foi isso que mais me incomodou. Nem mesmo um arrependimento passageiro.

Confesso que meu lado romântico não aprovou a leitura, visto que, infelizmente, não consegue atingir um propósito maior, além de entreter. Em verdade, não consegue explorar outro aspecto que não a experimentação livre de relações e sensações por mulheres, que adotam atitudes fúteis, egoístas, peversas. Tudo apenas para alimentar o ego e exercitar a sexualidade. No entanto, há doses de realismo nos relatos. Por exemplo: Ingrid revela o quanto lhe custou conquistar a fama, de casamentos fakes a testes do sofá.

No fim, o livro é para ser encarado como recreação. Afinal, é uma paródia exagerada do que as pessoas são capazes de fazer em prol daquilo que desejam.



Nome: Martha Mendonça
Editora: Record
Ano:2011

Páginas:140


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