sábado, 12 de março de 2011

Uma Janela em Copacabana




Três policiais são mortos no Rio de Janeiro. Testemunhas não conseguem apontar um eventual suspeito. Tudo é feito de maneira rápida, silenciosa, sem deixar vestígios; mesmo em locais públicos. A imprensa vai à loucura e começa a criar teses como: terrorismo, vingança de traficantes, limpeza feita pela própria polícia,etc. O delegado Espinosa, da décima segunda DP,é designado para solucionar o caso, juntamente com três detetives. No entanto, a situação é mais complicada do que parecia ser.

A imaginação de Luiz Alfredo Garcia-Roza copia o nosso cotidiano. O enredo pode até ser considerado trivial... Pense bem, poderiam ser "apenas" mais três homicídios na longa lista que os telejornais anunciam. Contudo, o livro explora aspectos diferentes, que passam despercebidos quando recebemos as informações da mídia. Por exemplo, a intimidade do delegado, seus relacionamentos, frustrações, caráter e desprezo pelas "frutas podres" dentro da polícia. Também trata do corporativismo presente nessa e em outras instituições.

Vale dizer que essa não é a primeira vez que o delegado citado participa de uma história escrita pelo autor. Presente desde "Achados e Perdidos", Espinosa aparece cabisbaixo e cheio de dúvidas em relação a sua carreira. Meio vacilante quanto a querer continuar a desempenhar sua função, mas já despido de sonhos que cultivava quando mais novo. Sente-se solitário e essa sensação aumenta conforme as investigações avançam, pois que existem poucos dispostos a colaborar.

Outro ponto importante de ressaltar é a importância que Garcia-Roza dá para as personagens femininas, cada uma possuindo um contorno de personalidade marcante, bem definido. São três mulheres que, à sua moda, o manipulam e surpreendem: Irene, Celeste e Serena.

A leitura tem um gosto especial para quem é carioca: dá para imaginar as cenas que se passam na Avenida Atlântica, Largo do Machado, Galeria Menescal. Porém, o bairro mais desvendado é aquele que empresta o nome para o título do livro. Aliás, uma das protagonistas, Serena, se envolve nesse mundo de investigação policial ao acaso, tudo por causa de... uma janela em Copacabana.

Li essa história no colégio e não me arrependo de tê-la relido. Porém, acho que a surpresa revelada no final pode ser desmascarada por um leitor mais atento logo de início. De qualquer forma, fica a dica.

Nome: Uma janela em Copacabana
Autor:Luiz Alfredo Garcia-Roza
Editora: Cia das Letras
Páginas:224


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