terça-feira, 22 de março de 2011

Snuff



Afastem as crianças. Pensando bem, é melhor afastar alguns adultos, também...

Em Snuff, Chuck Palahniuk aponta sua metralhadora giratória para a indústria pornô, e pega pesado (sem nenhum trocadilho infame). 
Polêmico? Sim, pode ser, mas não vejo como juntar Palahniuk e este tema, sem o ser. A começar pelo título - "Snuff movies são filmes que mostram cenas reais de morte. Subgênero da indústria pornográfica, onde atores são torturados até a morte após o ato sexual", como diz a orelha do livro. A capa bacana da edição da Rocco também fez algumas pessoas me olharem esquisito, quando pegava o livro pra ler no ônibus, mas ajudou a evitar que minha leitura fosse interrompida.

Como em outros livros, ninguém é exatamente o que parece ser, ninguém é tão ruim ou tão ingênuo quanto pode-se acreditar, a princípio. A rainha do cinema pornô, disposta a bater um recorde mundial - 600 é um número bem impactante, acreditem -, não é apenas a mulher que todos julgam como uma prostituta, assim como também não é apenas uma vítima ingênua de homens gananciosos, dispostos a abusar e se beneficiar de seu sacrifício. 
Aquele que outrora foi um grande astro do cinema pornô, e agora enfrenta uma decadência cada vez mais evidente, não é apenas um egocêntrico vazio, que passa o tempo de espera na fila depilando o próprio peito, ele também tem seus motivos bem pessoais para estar ali.
O jovem carregando flores, a produtora do filme, cada um apresenta sua visão fragmentada da situação, num quebra-cabeça que, quando desvendado, aponta para mais um dos finais de grande reviravolta - característica já conhecida de Palahniuk.

A indústria pornô, mostrada sem nenhum glamour, surge como algo que suga e destrói aqueles que se submetem à ela. A crueza na descrição das cenas pode ser chocante, em alguns momentos - como os motivos que podem levar cada um dos suspeitos a cometer o assassinato profetizado pelo título.

Mesmo sem causar-me todo o assombro que Cantiga de Ninar ou Monstros Invisíveis, Snuff é Chuck Palahniuk, uma vez mais - imprevisível, incontrolável, sem medo de mexer em vespeiros e, justamente por isso, contundente.


Editora: Rocco
Autor: Chuck Palahniuk
Ano: 2008
Páginas: 207

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