quinta-feira, 24 de março de 2011

Paris É Uma Festa



"Se você quando jovem teve a sorte de viver em Paris, então a lembrança o acompanhará pelo resto da vida, onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa ambulante."

Apesar do título, Paris É Uma Festa carrega uma grande dose de melancolia, a maior parte do texto. Autobiográfico, mostra as lembranças de um Ernest Hemingway ainda jovem, durante sua primeira temporada na Cidade Luz; um tempo de grandes esperanças e pouco dinheiro. É um Hemingway bem diferente do autor seco e avesso ao sentimentalismo de As Ilhas da Corrente, por exemplo. 

Suas reflexões, já com certa idade, são contadas em pequenos trechos. Apesar da fome constante, do frio e da falta de reconhecimento literário, a Paris de Hemingway é revisitada com muito carinho - como só o tempo é capaz de tornar boas todas as lembranças. Existem desafetos, claro, e estes não são perdoados (em trechos que trazem o conhecido Ernest de volta, seco e direto ao ponto), mas também existem amigos muito queridos. Sua descrição de Scott Fitzgerald, por exemplo, é comovente e, de certa maneira, trágica.

As alegrias estão nas pequenas coisas. Uma aposta num cavalo vencedor, um bom vinho, conhecer algum talento promissor e ser reconhecido como tal; fatos que fortaleceram o escritor e forjaram o homem que decidiu narrar apenas o que considerasse verdadeiro, o essencial, desprezando todo o supérfluo.

Ernest Hemingway decidiu partir desta vida, por vontade própria; mas sua Paris boêmia, dos pequenos cafés, permanece eterna.

Editora: Bertrand Brasil
Autor: Ernest Hemingway
Ano: 1964
Páginas: 236

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