domingo, 20 de fevereiro de 2011

Só garotos




"Só garotos", da Patti Smith, tem várias interpretações. Pode ser considerado uma autobiografia, um livro sobre o relacionamento da cantora e poetisa com o fotógrafo Robert Mapplethorpe, ou, também, um ensinamento de que o amor está longe de ficar restrito às relações físicas. Bem, o livro é tudo isso e um pouco mais.

E ele começa na dura infância e adolescência de Patti Smith, onde ela descobre o seu amor pela literatura e poesia. Porém, ambos são prejudicados pela entrada bem cedo na vida de trabalho em uma fábrica. Felizmente, Patti consegue reunir coragem e chegar até New York, onde o destino lhe seria mais sorridente (embora não sem muita luta) e lhe daria fama e o Robert Mapplethorpe.

Por mais que o destino tenha empurrado um para o outro, um dos pontos que mais chamam a atenção no livro é justamente a batalha que os dois travaram para conseguir mostrar ao mundo a sua arte. Nas seguidas noites de alimentação reduzida para comprar material para a sua obra, reforçavam a sua crença no sucesso que viria e, principalmente, na obra um do outro. E, assim, iriam reforçando os laços que existiam entre eles e que tornar-se-iam eternos.

E eles confiavam no futuro e no próprio trabalho, como ela própria disse quando chegou à cidade que lhe daria tudo que ela sempre sonhou: "Ninguém estava me esperando. Tudo esperava por mim".

Além disso, o livro retrata bem a cena de arte de New York no final dos anos 60 e a década de 70, com os artistas que gravitavam em torno de Andy Warhol. Uma cena incrível onde tudo ainda acontecia. Poetas e artistas se esbarravam nas ruas e se enfileiravam nas galerias de artes, nas livrarias e nas casas de shows.

Porém, para mim, "só garotos" é, também, um livro de uma outsider e sua relação com a arte. O que, claro, transforma completamente o seu modo de relacionar-se com as pessoas. Nas próprias palavras de Patti Smith, "eu vivia em meu próprio mundo, sonhando com os mortos e séculos desaparecidos". 

No final, embora com a tristeza que ele causa, ainda há espaço para a alegria, de saber que os Patti e Robert, como namorados e depois como amigos, conseguiram o seu objetivo, que era a fama. Não pelo dinheiro, e por todas as outras que o sucesso possa trazer, mas, sim, pelo reconhecimento de que a sua obra ficará para a eternidade, assim como o amor entre os dois.

"O que vai acontecer com a gente?", Patti perguntou. "A gente sempre vai existir", Robert respondeu.

Editora: Companhia das Letras
Autor: Patti Smith
Ano: 2010
Páginas: 272

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