sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Bonnie & Clyde



"As balas soam bem mais alto quando não é você quem está puxando o gatilho, já percebeu? É estranho, também, como o som parece chegar a você depois do tranco da chuva de chumbo em seu corpo. Se você nunca foi baleado, pode não ter idéia de como as balas o atingem como um punho e o empurram, derrubando-o. É só mais tarde que você percebe que elas o atravessaram e saíram pelo outro lado. Isto é, se você sobrevive você percebe que há um buraco em seu corpo e que está vazando como um velho balde enferrujado."



Estados Unidos, a Grande Depressão. Paul Schneider conta a história de Bonnie Parker e Clyde Barrow, num país agonizante. O autor dá mostras de um trabalho de pesquisa excelente, cujo maior mérito é ser imparcial. Ele não pende para nenhum lado, nem dos fora-da-lei, nem dos agentes que os perseguem.
Ainda assim, deixa bem claro que Clyde não teve muita escolha. Pobre, envergonhado de sua condição financeira, durão e fã de armas, não demora a se meter em encrencas. A partir daí, perseguido constantemente pela polícia, não consegue manter mais nenhum emprego - sempre era um dos procurados, considerado um bom "bode expiatório". O resto se resume a uma espiral inevitável de violência.
E, se Clyde não teve escolha, o mesmo pode-se afirmar sobre Bonnie. Seu envolvimento com o crime, porém, se deu por um motivo diferente. Ela amava Clyde, não suportava a idéia de viver longe dele.


A narrativa, pode transparecer um tom romanceado, em alguns momentos, mas o autor faz questão de deixar bem claro que se ateve somente aos fatos. Todos os diálogos reproduzidos no livro são citações de fontes qualificadas.


Clyde Barrow e Bonnie Parker viveram pelas armas e morreram pelas armas.
A imparcialidade do autor, já citada acima, leva a torcer pelos criminosos num determinado momento e contra eles em outro, para que sua trilha de corpos acabe. Sem invenções, a biografia escrita por Paul Schneider já é emocionante o suficiente.


Editora: Larousse do Brasil
Autor: Paul Schneider
Ano: 2010
Páginas: 432

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