quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Os Homens Que Não Amavam As Mulheres - Millennium 1



Capa da edição econômica
Alguns dos primeiros livros "adultos" que li foram de mistério. Livros de Agatha Christie, encontrados na estante de casa. O gênero me agrada bastante, apesar de não passar a história toda tentando resolver o enigma (deve ser preguiça minha). Ainda assim, quando o mistério se desenrola, quando tudo converge para um final onde a situação motivadora fica clara, não gosto de ter a minha inteligência insultada. É preciso que personagens, motivos e acontecimentos sejam verossímeis. Eu tenho que reconhecer as pistas que foram plantadas no desenvolvimento da narrativa, tenho que sentir que não fui trapaceado, por um final Deus Ex Machina, com uma situação mirabolante que seria impossível prever. Não aceito, de forma alguma, que o culpado (os mistérios sempre têm um culpado) seja alguém que não apareceu durante toda a história, alguém que não seja ao menos mencionado. Também acho um tanto forçado um final à la Scooby-Doo, em que alguém se dispõe a explicar toda a trama, praticamente desenhando cada passo - pois, de outra maneira, a compreensão ficaria muito difícil.

Após essa introdução, o que posso dizer é que Os homens que não amavam as mulheres, primeira parte da trilogia Millennium, do sueco Stieg Larsson é espetacular. A riqueza de detalhes é assombrosa, bem como a profundidade com que cada personagem é apresentado. Só posso acreditar que tratou-se de um longo trabalho de pesquisa, e que o homem devia ser um louco obcecado.

É inevitável torcer pelos protagonistas, o repórter Mikael e a hacker Lisbeth, em sua busca da solução de um desaparecimento, possivelmente um crime, inexplicável mesmo transcorridos quase 40 anos. Conforme seu trabalho avança, as pistas vão surgindo, montando um quebra-cabeças e revelando a parte sórdida de um poderoso clã familiar - que alguns tentam manter em sigilo.
As tramas secundárias ajudam a enriquecer a história e a fortalecer ainda mais os personagens. Larsson é corajoso e impiedoso com suas criações, submetendo Mikael e Lisbeth a situações que poucos autores teriam coragem - situações que explicam as motivações de cada um deles. 
O autor ainda encontra espaço para denúncias sociais, como  a situação de mulheres vítimas de abusos e empresários inescrupulosos, que destroem vidas motivados pela ganância.

Totalmente recomendado, vale destacar também o bom tratamento dado pela Companhia das Letras, que lançou uma versão econômica da trilogia Millenium (a capa que ilustra este post), a preços realmente acessíveis.

A trilogia já ganhou versões para o cinema sueco e, agora, está próxima de um remake de Hollywood. O título do primeiro filme deverá ser alterado para The Girl With The Dragon Tattoo, dirigido por David Fincher (de A Rede Social).

Larsson, infelizmente, não pôde ver o sucesso de sua obra. O autor faleceu aos 50 anos, em 2004, pouco depois de entregar a trilogia Millennium aos seus editores (se quiser saber mais, a Rolling Stone publicou uma boa matéria: http://www.rollingstone.com.br/edicoes/47/textos/a-garota-que-vende-livros/). Seu legado, porém, permanecerá.


"- Tive numerosos inimigos ao longo dos anos e aprendi uma coisa: não aceitar o combate quando é certo que se vai perder. Em compensação, jamais dê folga a quem o demoliu. Seja paciente e responda quando estiver em posição de força, mesmo que não haja mais necessidade de responder."


Editora: Companhia das Letras
Autor: Stieg Larsson
Ano: 2005
Páginas: 522

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2 comentários:

  1. TO namorando esta trilogia há um tempo... será minha próxima aquisição...hehe

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  2. Ainda não li todos (a entrega está atrasada...), mas, se estiverem à altura do primeiro, é uma série excelente! =)

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