terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O Velho e o Mar



Sublime.

Ao longo dos anos, elogios não foram poupados à esta obra-prima de Hemingway - e eu serei apenas mais um no coro.

A história do pescador Santiago é comovente, de uma simplicidade e grandiosidade imensuráveis, que só pode ser comparada ao mar que o cerca. A sensação de solidão e desamparo, na luta desigual que é travada entre um velho frágil e um peixe descomunal, é quebrada em alguns momentos, marcada por pequenas vitórias.
Santiago é velho, sim, mas seu corpo e sua mente recusam-se a desistir. Ele não se entrega em momento algum, mesmo quando tudo está perdido. Ele sangra, fica marcado e delira. Ele passa a amar seu oponente, por toda a sua força e beleza. Ele sabe que, após 84 dias sem conseguir pescar peixe algum, a "vitória" no combate que trava pode representar a diferença entre a vida e a morte. Assim, ele segue em frente, simplesmente por não ter outra escolha - como o peixe, na outra ponta da linha.

Como mostrou em As Ilhas da Corrente (que, aliás, tem uma batalha muito parecida com a de Santiago), um homem deve cumprir o seu dever - ou, pelo menos, saber que fez o melhor possível, com todas as suas forças. Até não se importar mais se vence ou perde o jogo, mas apenas desejar que ele termine*.

"Mas tenho de matá-lo", murmurou o velho. "Em toda a sua grandeza e glória. Embora seja injusto. Mas vou mostrar-lhe o que um homem pode fazer e o que é capaz de aguentar. Eu disse ao garoto que era um velho muito estranho. Agora chegou a hora de prová-lo."


Editora: Bertrand Brasil
Autor: Ernest Hemingway
Ano: 1952
Páginas: 126

*Parafraseando Luiz Antonio Aguiar, na apresentação de As Ilhas da Corrente.

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