sábado, 8 de janeiro de 2011

Mate-me Por Favor



"Então foi o que fiz. Me apropriei de um monte das formas vocais deles e das linhas melódicas também - ouvidas, ou mal-ouvidas, ou deturpadas, das canções de blues. Assim, 'I Wanna Be Your Dog' provavelmente é resultado da minha má-interpretação de 'Baby Please Don't Go'.
Iggy Pop"


Em 1997, a vida era repleta da corações partidos e grandes esperanças. Enquanto alguns amigos caíam, invariavelmente, nos rebolados do axé ou do funk, outros curtiam riffs de guitarra e andavam por um dos colégios mais tradicionais do Rio de Janeiro com óculos escuros e calças rasgadas no joelho. Os mais divertidos sempre eram aqueles outsiders
E, mesmo entre os amigos que curtiam rock, ninguém era mais outsider que os punks.
Obviamente, Mate-me Por Favor foi a nossa Bíblia, assim que lançado. Conhecemos a história de todo o movimento, descobrimos que eram garotos normais, pobres, alguns de talento questionável (e índole pior ainda). Uns ousaram aspirar algo mais, outros queriam apenas se divertir, escapar de todo o tédio da Blank Generation e repudiar o movimento hippie e suas idéias monótonas. 


Voltando a 1997, em pouco tempo começaram a pipocar bandas por todos os lados. Cada um era adepto do movimento Do It Yourself incluindo eu e meu amigo Thiago (autor do Botafogo - Muito Mais Que Um Clube), mas isso é história pra outro dia...


O movimento punk foi bem além da música, embora tenha sido muito mais forte nesta. Havia influência em todas as artes, passando pelas gravuras do badalado Andy Warhol, pelo teatro, pela poesia. Mate-me Por Favor conta, com detalhes, esta história. A sensação é parecida com ler o diário roubado de alguém. Divertidíssimo, assustador, triste, multifacetado, sua narrativa é toda construída por entrevistas com envolvidos na época, famosos e infames, num trabalho cuidadoso. Suas versões são, muitas vezes, conflitantes - mas cada um jura dizer absolutamente a verdade.


O punk está morto? Não sei. Talvez ele já tenha nascido fadado a um destino inexorável, já condenado. Talvez ele tenha agonizado, aos poucos, não resistindo aos Pistols e às inevitáveis overdoses.


E talvez ele sempre retorne de seu túmulo, para assombrar, incomodar e movimentar.


Editora: L&PM
Autor: Legs McNeil e Gillian McCain
Ano: 1997 (esta edição)
Páginas: 444


Observação: A editora relançou Mate-me Por Favor em versão pocket, dividido em 2 volumes.

Comente usando o seu perfil no Facebook!

Nenhum comentário:

Postar um comentário