terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Pacto



Algumas pessoas me olhavam esquisito, quando eu puxava O Pacto da mochila, para minha leitura no ônibus.

Uma vez, li uma crítica que descrevia um livro de Stephen King "tão delicioso e descartável quanto um Big Mac". Embora não concorde inteiramente com o que o crítico escreveu (não recordo seu nome), devo admitir que entendi o espírito. E, se isso pode ser dito sobre o senhor King, seu filho, Joe Hill, segue por uma trilha bem parecida.

A história de Ignatius Perrish é profundamente viciante, não conseguia deixar a leitura. Avançava pela madrugada, tornando-me ainda mais dependente de café, no dia-a-dia de trabalho. 

Nosso "herói" começa o livro destruído emocionalmente, um ano depois da perda do grande amor da sua vida, Merrin - um crime pelo qual foi acusado. Apesar de inocentado pela ausência de provas, muitos ainda acreditam que Ig foi o responsável pelo estupro de sua namorada, seguido de sua morte brutal.
Joe Hill não perde tempo, ao narrar as desventuras do pobre homem. Já nas primeiras linhas, mostra que Ig acorda, no dia seguinte ao aniversário da morte de Merrin, com um par de chifres projetando-se de sua testa. Ele não se lembra do que aconteceu na noite anterior. As pessoas à sua volta parecem não notar o novo detalhe em sua anatomia e, pior, passam a confessar seus mais sombrios pecados. Pessoas que ele sempre imaginou que estariam ao seu lado revelam o que verdadeiramente são, o que pensam sobre Ig - e não é nada bom. A situação piora ainda mais, quando ele descobre quem é o verdadeiro responsável pela morte de sua amada.
Conforme descobre a maldade das pessoas, Ignatius vai se acostumando à sua situação. Melhor ainda: se a missão do diabo é punir os pecadores, ele está disposto à cumpri-la, levando sua vingança aos que o traíram.

Devo destacar que Joe Hill criou um antagonista realmente maligno, como há muito tempo não via. Se um herói é medido pelos seus inimigos, Ig pode ser considerado um dos grandes - mesmo tendo chifres e adquirindo um tom de pele avermelhado, ao longo da trama.

"Ela estava com os punhos cerrados, pressionando o peito. Lutou para sorrir. - Ah, meu bem. Parece que você passou pelo inferno na Terra.
- Pode-se dizer que sim."

Editora: Sextante
Autor: Joe Hill
Ano: 2010
Páginas: 320.

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4 comentários:

  1. Não entendi o final do livro =/. Gostaria de saber como e porque o Ig ganhou os chifres. Sei que tem alguma coisa a ver com a passagem na casa da árvore da mente, mas acho q me perdi. Algm poderia me dar uma luz?

    De resto o livro é perfeito, uma história mto viciante mesmo.

    Abraços!

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  2. Opa! O comentário a seguir pode estragar algumas surpresas, então, se você pretende ler o livro e não quiser saber de nada anteriormente, é melhor pular...

    Até onde entendi, o autor realmente deixa em aberto o que motivou a transformação de Ig. Aparentemente, ele se prende a uma idéia de um destino inevitável, há um ciclo, fechado, na história - Ig e Merrin, na casa da árvore, assustados com alguém tentando entrar; mais à frente, descobrimos que, na verdade, é o próprio Ig, já em sua versão futura (chifres e tal).
    Realmente, existe uma relação com o que se passou na casa da árvore; um "pacto", como sugere o nome da versão traduzida do livro, embora não seja mostrada nenhuma entidade em forma física, que possa firmar tal pacto.

    Um abraço!

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  3. Nossa, mas o cara não nega mesmo que é filho do Stephen King neh, hehe. Agora que dei mais uma olhada no livro, reparei que a sensação dos chifres só começaram quando ele estava descendo da casa da árvore, onde estava escrito no pergaminho "pegue o que quiser antes de sair". E antes de sair ele realmente se identificou com a figura do diabo, colocando sua cabeça no corpo do anjo que estava com Maria, que ele se despediu com um beijo antes de chamar a figura pelo nome da amada, Merrin. Neste ponto eu acredito que ele deixou de ter qualquer tipo de fé e passou a crer mais no diabo do que em deus.

    Abraços!

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  4. Acho que o espírito é bem esse... e, citando o senhor King, tem uma frase no final de "O Iluminado" que resume bem:

    "Coisas terríveis acontecem no mundo, e são coisas que ninguém pode explicar."

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