terça-feira, 2 de novembro de 2010

As Ilhas da Corrente



"Meta isso na cachola. O filho, você perde. O amor, também. A honra, há muito tempo que se foi. O dever, você faz."

Hemingway, que poderia perfeitamente ser personagem de seus próprios livros, constrói uma história de solidão e como um homem lida com ela. Podemos acompanhar a trajetória de Thomas Hudson, no decorrer dos anos, ao longo da Corrente do Golfo; às vésperas da guerra e durante a mesma. 
Na primeira parte, em Bimini, sua rotina solitária de seu trabalho como pintor é quebrada pela presença dos filhos, de casamentos anteriores. O amor incondicional que sente pelas crianças o leva a se acostumar, aos poucos, com as alterações no seu dia-a-dia. Thomas aprende junto com seus filhos, enquanto busca ensina-los a caminhar com seus próprios pés. São lições importantes, com passagens marcantes, como o duelo de um de seus filhos com um peixe colossal, quase uma releitura de O Velho e o Mar.

Anos mais tarde, marcado pela tragédia, Thomas está em Cuba, durante a Segunda Guerra. Envolto em atividades secretas, combatendo submarinos inimigos, ele segue em frente. O reencontro com um grande amor não o impede, as perdas que sofreu no caminho tampouco. Existe um trabalho a fazer e ele deve ser concluído. A perseguição aos inimigos é tensa, num suspense bem construído, em que o perigo e a morte podem estar bem à frente - mas que não impedem de continuar, até o final.

Os diálogos de Hemingway são poderosos. Frases curtas, diretas, com um mínimo de descrição - e passam a emoção desejada. Tão diretos quanto Thomas Hudson, quanto o próprio Hemingway.

"- Mas seu latim era excelente. Sei de pessoas que frequentaram o colégio com você.
 - Meu latim já comeu o pão que o diabo amassou - disse Thomas Hudson. - Tal como o meu grego, o meu inglês, a minha cabeça e o meu coração. A única coisa que sei falar agora é daiquiri gelado."

Editora: Bertrand Brasil
Autor: Ernest Hemingway
Ano: 2005
Páginas: 558

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