quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Assombro



Chuck Palahniuk, no extremo.
Assim como Cantiga de Ninar (inaugurando o blog, lembra?) e Monstros Invisíveis (comentei aqui), Assombro é uma crítica feroz à sociedade. A busca irrestrita pelo reconhecimento e fama, a idolatria descerebrada aos Reality Shows, o desejo mesquinho de ser melhor que o outro - nem que, para isso, este outro seja destruído no caminho -, a sordidez com que vidas são arruinadas, apenas por um lampejo de estrelato... estes são apenas elementos que temperam este livro, que faz jus ao nome. 
Um romance formado por histórias, Assombro não é para os que têm estômago fraco. O material de divulgação relata que pelo menos 73 pessoas desmaiaram, durante as leituras públicas de "Tripas", um dos contos que compõe o livro - e, acreditem, a crueza da descrição de Palahniuk realmente surpreende.
A história parte de uma premissa simples: pretensos escritores respondem a um anúncio que propõe um exílio, com condições ideais de hospedagem e alimentação, além da companhia de outros intelectuais. O ambiente ideal, para uma "total imersão no trabalho" - e a chance de criar um novo futuro como poeta, escritor ou roteirista profissional.
O local do exílio, porém, não é o que foi anunciado. Um teatro abandonado, onde todos ficam trancados, sem possibilidade de fuga. Aquecimento, energia e comida tornam-se escassos, aumentando o desespero dos narradores e das histórias narradas. Cada um já imagina a história de seu aprisionamento nas luzes da ribalta, nas telas de cinema, na lista de best-sellers.
Cada um reclama para si o direito de ser o herói dessa história. Fazem o que for necessário, destroem o que estiver no caminho. Transformam o outro em vilão, passam por intenso sofrimento no corpo e na mente.


Ninguém é inocente.

Assombro pode não ser tão ágil quanto Cantiga de Ninar e Monstros Invisíveis, mas mantém muitos dos elementos familiares de Palahniuk. Suas reviravoltas, narrativa não linear, o cinismo e o humor negro estão presentes, numa história que beira o limite da realidade. Amando ou odiando, é impossível ficar indiferente.

Editora: Rocco
Autor: Chuck Palahniuk
Ano: 2007
Páginas: 387

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