sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Vlad



Esqueça os vampiros-bibelôs que andam por aí, nas histórias mais recentes.  Na verdade, esqueça qualquer tipo de vampiro. Em Vlad, o autor Humphreys narra a trajetória do príncipe Filho do Dragão, ou, como tornou-se mais conhecido, Drácula.
Acompanhada desde a adolescência, como refém dos turcos, a história  é confessada (daí o subtítulo, A Última Confissão) pelas três pessoas mais próximas do Príncipe da Valáquia - seu amigo e companheiro fiel desde a infância, a única mulher que amou e aquele que foi seu confessor. A narrativa apresenta um guerreiro, um homem cruel, sim, mas moldado por tempos cruéis. O dogma que lhe foi transmitido, ainda jovem, é "torturar para não ser torturado", uma lição forçada. Vlad precisa ser temido, ser ainda pior que seus inimigos, para, primeiro, retomar seu reino e eliminar aqueles que traíram sua família, e em seguida, enfrentar os turcos.
O autor não faz julgamentos, mostrando o excesso de severidade com que são punidos aqueles que desrespeitam a palavra do Príncipe - e como ele passou a ser conhecido como "O Empalador". Na visão de Vlad, o mal causado por ele era necessário, pois seus objetivos finais justificariam seus meios.
Passa bem longe de Bram Stoker e seu vampiro, buscando o controverso personagem histórico - que, apesar de inegáveis crueldades cometidas, ainda é amado pelo seu povo. Culpado ou não, maligno ou não, Vlad não retrata Drácula como o monstro famoso, mas como um homem, movido por suas escolhas. Se, para enfrentar seus inimigos infiéis, era necessário inspirar o terror, ele assim o fez. Sem remorsos.

Editora: Record
Autor: C. C. Humphreys
Ano: 2010
Páginas: 462

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