terça-feira, 30 de abril de 2013

Selvagens





Ah, o amor e suas diferentes faces...

Ben, Chon e Ophelia sabem curtir a vida. Os dois amam a moça, que ama os dois, que são grandes amigos, e não há nenhum problema nisso. Eles estão bem de vida, com todo dinheiro que poderiam querer - o bastante para levar a boa vida, no sul da Califórnia. Ben e Chon tem uma legião de fãs, são adorados por muita gente. Seu sucesso e boa condição econômica são facilmente justificáveis: é que eles produzem maconha de qualidade excepcional.

Amor dos tempos modernos, empreendedorismo dos tempos modernos.

Ben sente-se feliz, empregando boa parte de seu tempo e dinheiro em missões humanitárias, pelo mundo. Ele é o negociador, a parte sensível da dupla. Chon, ao contrário, age quando as coisas complicam. Como Ophelia (ela prefere ser chamada de "O") define muito bem, Chon é aço, Ben é madeira.

O mercado que escolheram, porém, é bastante competitivo. Investidas agressivas não estão descartadas - e, por agressivas, pode-se entender um vídeo ameaçador, enviado pelo temido Cartel de Baja. Os mexicanos querem o produto de Ben e Chon. Sua proposta de negócios é a oferta de que os dois não serão decapitados, como aconteceu com os infelizes no vídeo. Embora saibam lidar bem com a violência - Chon tem treinamento de marine, ex-mercenário, casca-grossa e é muito eficiente, para descartar adversários - os dois amigos têm plena consciência de que enfrentar o Cartel e seu exército é uma batalha perdida.

Tudo munda de figura, quando O é sequestrada e sua vida passa a correr perigo. O Cartel subestima a relação que existe entre os três, não faz ideia de até onde estão dispostos a ir, para ter de volta a mulher que amam. A partir daí, começa um intrincado jogo de xadrez, com cada lado fazendo o possível para estar sempre um passo à frente do outro.

A linguagem de Don Winslow é espetacular. O livro é ligeiro, na medida certa. Cada protagonista é bem representado, tornando difícil não gostar deles... na verdade, até os antagonistas são cativantes. Com um tom de reportagem, detalha as origens do tráfico internacional, partindo do México - ironicamente, financiado pelos Estados Unidos, em seus primórdios -, de seus diversos cartéis e da briga entre eles. Explica, também, parte do processo de desenvolvimento do produto especial fornecido por Ben. 

Winslow, para continuar com a imagem do jogo de xadrez, citada anteriormente, posiciona muito bem suas peças. Cada personagem importante tem sua história, revelada sem detalhismo exagerado - o suficiente para compreender suas motivações e criar uma empatia. Repleto de lances geniais, Selvagens consegue prender bem, do começo ao fim. O título, aliás, é bem "trabalhado", com visões diferentes, no decorrer do livro, e acaba por se tornar mais um detalhe interessante.

O livro gerou um filme, por Oliver Stone - que ainda não vi.


"O amor deixa você vulnerável. 
Então, se você tem inimigos, 
Tire deles aquilo que eles amam."


Título original: Savages
Editora: Íntrinseca
Autor: Don Winslow
Ano: 2012
Páginas: 288

Comente usando o seu perfil no Facebook!

sábado, 2 de março de 2013

Commando - A Autobiografia de Johnny Ramone





"Se os Ramones nunca tivessem existido e aparecessem agora, ainda iríamos pirar as pessoas. Ninguém tomou o lugar dos Ramones."


O título é Commando, mas também poderia ser "Guia: Como Ser Um Punk". Há, inclusive, uma passagem divertida, em que um garoto vê Johnny dirigindo um Cadillac e o interpela, dizendo que ele não poderia fazer aquilo, dirigir um carro caro não era uma atitude punk - ao que Johnny, gentilmente, retruca - respondendo que ele criou a atitude punk. Ele poderia dizer o que era ou não condizente com tal atitude. Então, se Johnny Ramone estava dirigindo um Cadillac, sim, isso era punk. O garoto sorriu, concordando.

Johnny nunca foi meu preferido, na minha banda preferida. Posso afirmar, em minha defesa, que muitos conhecidos tem a mesma reação. Isso é, em grande parte, culpa do próprio guitarrista. Ele construiu a sua imagem assim, ele passava exatamente a impressão do que esperavam dele:

"Mas, a despeito do sucesso, transmiti fúria e intensidade durante a minha carreira. Eu tinha uma imagem , e essa imagem era de raiva. Eu era o cara carrancudo, baixo-astral, e tentava me certificar de parecer assim quando era fotografado. Os Ramones eram o que eu era; portanto, eu era aquela pessoa que tanta gente viu no palco."

Não que sua fúria não fosse genuína, ela era. Johnny apenas soube se aproveitar, e usá-la à sua maneira. Sim, ele era o cara durão, Too Tough To Die, como diz uma das canções da banda, mas toda essa raiva foi conduzida com maestria, de forma inteligente. Mesmo antes de ler sua biografia, eu sabia de uma coisa: ele era necessário. Manteve a banda unida, manteve o som fiel ao que julgou que deveriam ser. Johnny era, basicamente, o chefe - e, esta, convenhamos, nunca é uma figura exatamente popular...

Sua autobiografia é, finalmente, a oportunidade de ouvir o que ele tem a dizer. Vejam bem, o guitarrista sempre teve a imagem de cara ruim - imagem que ele não se preocupava em reverter e, ao contrário, até cultivava. Johnny foi o canalha que roubou a namorada de Joey, seu companheiro de banda. Johnny era o intolerante que batia em Dee Dee, o baixista. Johnny expulsou Marky, o baterista, dos Ramones. Johnny tratava CJ como um empregado, lembrando que ele era apenas um músico contratado, para substituir Dee Dee. Há verdade nisso? Que tal saber sua versão?

É o que sua autobiografia faz. Ele não se preocupa em provar nada, apenas conta seu lado da história. Direto, sem rodeios, punk. E, sim, mudou minha visão. Organizado, centrado, Johnny manteve registros detalhados, que ajudam a tornar o livro um deleite para os fãs. Fotografias raras e inéditas, anotações, suas avaliações de cada álbum, dos shows importantes, tudo que qualquer interessado em história musical poderia querer saber, sobre uma das bandas mais influentes que já existiram - sim, isso não é exagero de fã.

Editada com grande esmero por John Cafiero - e, no Brasil, publicada em papel especial e bastante cuidado pela Editora Leya (a mesma das Crônicas de Gelo e Fogo), vale cada centavo, pela diversão que proporciona. Há, porém, um tom melancólico, em contraponto à fúria. Johnny já começou a escrever sabendo que seus dias estavam próximos do fim. Enfraquecido, pelo câncer que finalmente o venceu, o guitarrista queria mostrar que estava disposto a lutar até o fim. Ele não sabia perder.

Too Tough To Die.


Título Original: Commando: the autobiography of Johnny Ramone
Editora: Leya
Autor: Johnny Ramone (edição de John Cafiero, com Steve Miller e Henry Rollins)
Ano: 2012
Páginas: 176

Comente usando o seu perfil no Facebook!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Pulp



Nick Belane, contratado pela Dona Morte para localizar o escritor Celine (supostamente morto em 1961). A situação torna-se mais complicada, conforme surgem outros clientes, com casos tão complexos quanto este primeiro.


O livro é louco, repleto de situações nonsense, onde um personagem é mais mau-caráter e boca suja que o outro. E, mais pervertido, também. Ou seja, é divertido, do começo ao fim.

Belane precisa localizar o escritor, o Pardal Vermelho, comprovar um adultério, saldar dividas de jogo e aluguel. Precisa beber menos, parar de arrumar briga em cada bar que vai. Precisa lidar com alienígenas. De vez em quando, dá sorte... mas, quando dá azar, é pra valer. Sua conduta é, ocasionalmente, autodestrutiva, mas ele não se importa. Tem que pagar o aluguel e precisa de mais uma dose. Veterano, Belane, sabe que pode estar no fim da linha. E, vai fazer de tudo para ser um azarão.

Bukowski dá um tapa certeiro, na cara de quem espera mais do mesmo. Fazendo jus ao nome, Pulp proporciona entretenimento sem compromisso, nem moralidade fingida. Com pitadas de noir e um bocado de humor negro, é bom pra ler de uma vez só, do começo ao fim. 


"Do lado de fora, atravessei decidido a poluição. Tinha os olhos azuis, os sapatos velhos e ninguém me amava. Mas tinha coisas a fazer.Eu era Nick Belane, detetive particular."
Título Original: Pulp
Editora: L&PM Pocket
Autor: Charles Bukowski
Ano: 2009
Páginas: 175

Comente usando o seu perfil no Facebook!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Adeus às Armas



"Não há nada pior do que a guerra. Nós aqui, nas ambulâncias, não temos como perceber o horror que é isso. E ninguém consegue acabar com a guerra, porque todos já enlouqueceram. Há pessoas que nunca se dão conta disso. Há quem tenha medo dos oficiais. É com esses que se fazem as guerras."

Hemingway, direto ao ponto. Gostando ou não, não faz diferença - ele segue em frente. Se tem uma coisa que posso dizer que aprendi com o Ernest, é que não adianta ficar se lamentando, pelo que não se pode mudar. Você aceita, e segue adiante.

Seus diálogos são sempre magistrais. Conduzidos com naturalidade sem igual, praticamente tornam o leitor mais um personagem da história, acompanhando as conversas, como se estivesse virando a cabeça de um lado para o outro.

Se, por um lado, são econômicas em descrições, suas cenas dão mais espaço à imaginação. Sabemos alguns detalhes da aparência dos personagens, revelados pelas conversas - de resto, é por nossa conta. O mesmo acontece com as paisagens percorridas, descritas pelo narrador. Ainda assim (ou, justamente por isso), a imersão na história funciona de forma muito eficaz, tornando as descrições outro elemento que ajuda a tornar o leitor em mais um personagem.

Adeus às Armas trata de um grande amor, com a Primeira Guerra Mundial como pano de fundo. Frederic Henry, o narrador, é um jovem tenente americano, servindo no exército italiano. É no exército que conhece Catherine, enfermeira inglesa, por quem se apaixona perdidamente - e é correspondido. O amor dos dois é tão intenso, tão pleno de entrega, que, tal como Romeu e Julieta, parece uma tragédia anunciada. Ultrapassa diversos obstáculos, os dois são separados e tornam a se encontrar, tornando sua união cada vez mais forte. 
 
O episódio da retirada do exército italiano é descrito por Henry (e Hemingway), traduzindo a sensação de desamparo presente - até o horror, na travessia da ponte, em que, buscando alguém para culpar pela derrota, elementos começam a se voltar contra os oficiais. O mundo enlouqueceu, restando apenas o sentimento de Henry e Catherine como porto seguro.
 
Descrito como o melhor romance americano ambientado na I Guerra Mundial, Adeus às Armas é uma belíssima história de amor, de coragem e superação. E, também, uma das mais tristes.


"- O casamento representaria muito para mim, se eu tivesse alguma religião, mas não tenho.
- Você me deu um Santo Antônio.
- Apenas para dar sorte. Alguém havia me dado a medalha.
- Quer dizer que nada a aflige?
- Só a ideia de nos separarem. Minha religião é você. Você é tudo quanto tenho no mundo
."
 
 
Título Original: A Farewell to Arms
Editora: Bertrand Brasil
Autor: Ernest Hemingway
Ano: 1929
Páginas: 352


Comente usando o seu perfil no Facebook!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Paralelo 42





"O jovem anda rápido, sozinho, em meio à multidão que se rarefaz nas ruas noturnas; pés cansados de caminhar horas; olhos ávidos pela curva cálida de um rosto, lampejos de olhos que correspondam, a posição de uma cabeça, um erguer de ombro, a maneira como as mãos se abrem e fecham; o sangue fervilha de desejo; a mente é uma colmeia de esperanças zumbindo e ferroando; músculos doem do trabalho, o trabalho com a picareta e a pá do consertador de estradas, a perícia do pescador com o gancho quando recolhe a escorregadia rede da amurada da traineira adernada, o movimento do braço do homem na ponte ao jogar o rebite em brasa, a mão do maquinista experiente no afogador, o uso que o agricultor faz de todo o seu corpo quando, tocando as mulas, desengancha o arado do sulco. O jovem caminha sozinho, varrendo a multidão com olhos ávidos, ouvidos ávidos e tensos para escutar, sozinho, só."


Foi com este primeiro parágrafo que John dos Passos me convenceu que valia embarcar na longa empreitada de sua trilogia USA, iniciada pelo Paralelo 42.

Cada cena é magistralmente descrita, sem exageros e sem pontos em branco, fornecendo o suficiente para a mente trabalhar... e, acreditem, isso acontece. A história é extremamente visual.

Acompanhando o crescimento do personagem Mac (Fainy, seu primeiro nome), pode-se compreender também o crescimento da nação que viria a se tornar uma das maiores potências mundiais. Desde a sua infância pobre, um white trash marginalizado, descendente de irlandeses e escoceses, quando Mac perde primeiro a mãe e depois o pai - e, vivendo com o tio, adquire alguns primeiros conceitos socialistas -, passando por seus dias de andarilho. Essa parte, aliás, lembra bastante On the Road, de Jack Kerouac.

Com o tempo, Mac se junta à causa operária, agindo quase na clandestinidade, na impressão de um jornal de apoio à greve. É nesse período que conhece Big Bill Haywood, líder da classe operária.

Novos personagens são apresentados, cada um retratando uma parte diferente na construção da nação que, desde o inicio do século, já almejava ser a maior potência do Seculo XX.

Janey e seu irmão Joe. Torna-se boa estenógrafa e secretária de confiança, passando a garantir seu próprio sustento. Seu irmão "cai no mundo" - a Marinha, a princípio, depois por conta própria.

J. Ward Moorehouse, escritor, alpinista social. Um publicitário perspicaz, revela ser um grande visionário. Demonstra grande valor, ao compreender o poder da propaganda, nos dias por vir. Moorehouse também revela possuir talento, para convencer os outros de sua visão, angariando aliados para contruir seu sonho.

É apresentada, também, Eleanor Stoddard, estudante de arte. Sócia fundadora de uma firma de decoração de interiores. Estabelecida em NY, após desfazer a sociedade, é responsável por decorar a casa de Moorehouse.

O crescimento dos personagens acompanha o crescimento dos Estados Unidos, uma terra que se apresenta como repleta de oportunidades e liberdade de escolha - ainda que se precise combater por cada uma delas.

As histórias são contadas em paralelo, a princípio, até que surgem eventos em comum. Enquanto isso, a sombra da I Guerra se torna uma ameaça cada vez maior, na Europa. Costurando a trama, trechos de jornais, canções, biografias de figuras importantes... John dos Passos cria uma ambientação repleta de detalhes, um pano de fundo excepcional, para a grande história que se propõe a narrar. Paralelo 42 é tão intenso quanto longo. Quando, em alguns trechos, parece que a história vai "se arrastar", surge algum novo detalhe, um novo gancho, que desperta o interesse.

Quase uma obra de reportagem, é o retrato detalhado e fascinante de um momento fundamental, na construção da história de um país que viria a se tornar uma das mais nações do século XX. Trata-se, ainda assim, apenas do começo do que John dos Passos planejou contar.



Título original: The 42nd parallel
Editora: Benvirá
Autor: John dos Passos
Ano: 1930
Páginas: 512

Comente usando o seu perfil no Facebook!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Guerra e Spray





"Algumas pessoas se tornam policiais porque querem fazer do mundo um lugar melhor. Algumas pessoas se tornam vândalos porque querem fazer do mundo um lugar visualmente melhor"

"Banksy - Guerra e Spray" não é um livro comum. Trata-se, na verdade, de um compilado de fotos da arte (ou baderna) do ativista (ou vândalo) Banksy pela Europa, EUA e Palestina. Grafiteiro, através das suas imagens ele protesta contra o consumismo, capitalismo e os policiais - eu diria que contra a propriedade privada também. É inegável que trata-se de alguém extremamente inteligente e criativo, como fazem crer as suas obras. A questão é: isso é correto?




Segundo o autor, "grafitar é, na verdade, uma das mais honestas formas de artes disponíveis. Não existe elitismo ou badalação, o grafite fica exposto nos melhores muros e paredes que a cidade tem a oferecer e ninguém fica de fora por causa do preço do ingresso." Daí, vem, então, a minha crítica. Para Banksy, não há limites para o seu grafite - e é inegável que, para o dono do espaço, os desenhos constituam um vandalismo -, e talvez o próprio autor não enxergue a contradição nas suas crenças. Ele critica o excesso de poder dos policiais e do estado e também se opõe à propriedade privada, ignorando que esta é a única garantia contra os excessos do primeiro. E que é justamente ela o cerne da liberdade. Enfim, sigamos.



O objetivo das obras de Banksy parece ser despertar as pessoas para a ação. Seja através da ironia ou do choque, o grafiteiro aproveita detalhes da paisagem e consegue encaixá-los perfeitamente à sua obra. Entretanto, para mim, o seu melhor momento são em ações em museus. Ele produz obras e as instala em museus famosos, tornando-as parte do acervo por alguns dias até alguém perceber a ironia e retirá-las. A sua "Mona Lisa" alterada (o rosto famoso é substituído por um smiley) chegou a ficar alguns dias no Museu do Louvre em Paris. Outras intervenções se deram no MoMA, Natural History Museum e Brooklyn Museum, em Nova York; Tate Gallery e British Museum, em Londres. E todas elas com fotos no livro.



Por mais que eu discorde de sua obra, não há como negar o seu talento, mesmo com todas as suas contradições. Há momentos geniais em frases: 

"se você quer que alguém seja ignorado, é só construir uma estátua de bronze em tamanho natural dessa pessoa e enfiá-la no meio da cidade"

"Pessoas com telhado de vidro não deveriam jogar pedras.
Pessoas em cidades de vidro não deveriam lançar mísseis."

"Pessoas que gostam de agitar bandeiras não merecem ter uma"



No seu site, Banksy informa que não teve nenhum envolvimento com o livro. A julgar pelos textos contidos nele, isso não parece ser verdade. Talvez seja apenas uma forma de reforçar a imagem de rebelde e inconformado. Parece que está funcionando.



Título: "Guerra e Spray"
Editora: Intrínseca
Autor: Banksy
Ano: 2012
Páginas: 240 (em papel couchê 115g)

Créditos:

Foto da capa: Blog do Barburci
Demais: Banksy site

Comente usando o seu perfil no Facebook!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Deixa Ela Entrar




"Feliz daquele que tem um amigo como esse"


Estocolmo, mas poderia ser em qualquer outro lugar. Os anos 1980 estão começando, anunciando uma época melancólica.

Oskar tem problemas, muitos problemas. Está entrando na adolescência, o que, por si só, já é um baita complicador. Ele tem uma mãe que consegue, ao mesmo tempo, tentar ser super-protetora e não estar presente (ela precisa trabalhar, certo?). Oskar não tem amigos, ele tem predadores. É perseguido, na escola, no pátio do condomínio, onde quer que o encontrem, com níveis angustiantes de violência, psicológica e física. Bullying, como o conhecemos nos dias de hoje.

Eli também tem seus problemas. Uma criança pequena e de aspecto frágil, é muito mais velha do que aparenta. Ela depende da ajuda de Håkan, para sobreviver. Håkan a ama incondicionalmente, mas é um pedófilo. Ele não exita em fazer o que for necessário, para proteger seu grande amor - ainda que espere algo, em troca. Para Eli, é arriscado se virar sozinha. Ah, sim, Håkan pensa que ela é um menino. Na verdade, ela não é nem menina, nem menino. Eli é uma vampira, e depende do sangue que Håkan consegue levar pra casa.

A vida destes três personagens solitários começa a mudar, quando Oskar e Eli se conhecem.  Cada ação tem seus reflexos, afetando profundamente os que estão direta ou indiretamente envolvidos. Os vivos lamentam pelos que se foram e fica cada vez mais difícil conseguir o alimento para a vampira. Assim, conforme o cerco se fecha, Oskar e Eli precisam passar a lidar com seus perseguidores - e acabam por se aproximar cada vez mais.

John Ajvide Lindqvist, o autor, conduz a história com grande talento. Alternam-se momentos de singela delicadeza, em que a solidão e melancolia dão lugar a uma confiança inocente, com passagens assustadoras - quando parece que Oskar não vai escapar. Assim como é estranho, torcer para que Håkan consiga alcançar seu objetivo - conseguir sangue para a menina -, ainda que signifique o sacrifício de um inocente. Alguém atacado por Eli deixa de ser apenas mais uma vítima, quando acompanhamos o sofrimento dos amigos que perderam o ente querido.

Deixa Ela Entrar consegue ser denso e aterrorizante, tratando do difícil rito de passagem do crescimento (com todos os dificultadores acima), mas também consegue ser uma história de amizade e amor. Ironicamente, a criatura mais aterrorizante, aqui, não é aquela que vive nas trevas... ainda que sua sede precise ser aplacada. 



"Como é que a gente faz, afinal de contas? Para fazer alguém gostar da gente?" 



Título original: Låt den rätte komma in
Editora: Globo Livros
Autor: John Ajvide Lindqvist
Ano: 2004
Páginas: 501
O livro rendeu duas boas adaptações para o cinema. Vale conferir! 


Comente usando o seu perfil no Facebook!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Amsterdam




Ah, as nuances da amizade... E, como ela pode passar, facilmente, para uma inimizade sem limites.

Amsterdam trata, principalmente, destas nuances. Clive e Vernon compartilham uma grande amizade, além de terem amado a mesma mulher, no passado - em momentos diferentes, que fique claro. É justamente no enterro desta mulher, Molly, que começamos a acompanha-los. Outros ex-amantes de Molly também estão no funeral - Julian Garmony, chanceler, bem cotado para Primeiro Ministro, e George, marido de Molly, que a acompanhou no fim.

Clive é um compositor de renome, mas com um ou outro problema de criatividade. Vernon é um jornalista sem destaque, encarregado de salvar da falência o jornal do qual é editor-chefe. Garmony é um hipócrita, defendendo uma moral que ele mesmo não segue e, finalmente, George, o marido, é um personagem ambíguo. Ele sabe que os ex-amantes de Molly o consideram um fraco, alguém que não a merecia, por não estar à altura da mulher excepcional que ela era.

Girando em torno de Clive e Vernon, a história de Ian McEwan demonstra que nenhum dos dois é um mocinho. Nem totalmente inescrupuloso. Eles apenas estão dispostos a fazer certos sacrifícios, para alcançar seus objetivos - e, ocasionalmente, este sacrifício é a ética. Ok, falando a verdade, são tão humanos quanto qualquer um de nós. Você pode odiar um ou outro, em determinado momento, mas não pode negar que suas atitudes tem um motivo. Ainda assim, são amigos de longa data, com uma confiança mútua forte o suficiente para sustentar uma espécie de pacto de morte: um deve dar cabo do outro, no caso de não pode responder mais, por suas ações - uma "morte em vida", como a que Molly sofreu.

Quando a amizade dos dois é posta em xeque, eles mostram como o acordo pode ser traiçoeiro. Cada um à sua maneira, buscam justificativas para os próprios atos, por mais sórdidos que sejam. Mais do que uma justificativa à sociedade, que poderia interpretar as decisões tomadas como produto de homens inescrupulosos, Clive e Vernon buscam justificativas para eles próprios, para apaziguar suas próprias consequências.

Sem rotular seus personagens, simplesmente conduzindo cada um por uma espiral sem retorno, Ian McEwan apresenta uma história bem interessante, ligeira e forte, em que os fins servem de justificativa para os meios. Ou, pelo menos, é assim que cada personagem vê as coisas.


Título original: Amsterdam
Editora: Companhia das Letras
Autor: Ian McEwan
Ano: 1998
Páginas: 184

Comente usando o seu perfil no Facebook!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

As Melhores Histórias do Coletivo Corrosivo




Este livro é cínico, da primeira à última página. E, bem, isso é um elogio.

Como uma dose atrás da outra, as histórias derramam-se - meio reportagem sensacionalista, meio causo de bar, meio "aconteceu com um conhecido meu...". Trazem personagens tão inverossímeis, que só podem ser reais (com um ou outro exagero perdoável). No conjunto, algumas histórias passam, enquanto outras são bem marcantes. O coletivo é bem interessante, com a dose certa de humor (um humor nervoso), tristezas sem explicação do dia-a-dia, golpistas, maridos traídos, honra lavada e chifres aceitos.

Falando novamente de doses, tem uma observação do cotidiano, sem preocupação de poupar o leitor de nada. O Corrosivo Coletivo não se prende à uma falsa moral, não doura a pílula. Os pseudônimos criados pelos autores são bem eficientes, também, em suas diferentes visões desta observação do cotidiano - tendo em comum apenas o cinismo citado lá no início.

Os textos, como diz o título, foram selecionados do blog Corrosivo Coletivo (http://corrosivocoletivo.blogspot.com.br/), um lugar que deve ser frequentado com cuidado. Recomendado? Definitivamente, desde que o leitor esteja preparado. Mulheres lascivas, espertalhões, otários, golpes e um pessoal sem escrúpulos estão apenas aguardando cada página ser virada. Ácido, ciumento, cismado, o Coletivo carrega o fundamental para ser necessário: é divertido, bastante divertido - sem a menor vergonha disso.



Título Original: As Melhores Histórias do Coletivo Corrosivo
Editora: Navilouca Livros
Autores: Bruno Machado, Crido Santos, Felipe Gonzales
Ano: 2012
Páginas: 114

Comente usando o seu perfil no Facebook!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Crime e Castigo






por Breno Matos Pinheiro*
Não é um livro sobre um romance, uma investigação ou crônicas sobre o cotidiano. "Crime e Castigo" é um dos maiores clássicos já escritos na história da humanidade. E me orgulho em tê-lo comprado (na verdade, ganhado de presente da colaboradora deste site, a Carol) porque abriu horizontes em matéria de narrativa e principalmente porque mostrou a expiação d'alma humana.

Raskolnikov é um estudante de Direito que passa os dias a elaborar seu projeto de comprovar a superioridade de alguns homens em relação a outros, que lhes permitiria romper algumas normas sociais, imputadas a todos os demais homens, ou os comuns, que servem apenas de peões a sustentar a mola da sociedade.

O projeto tem basicamente a ver com um assassinato. Em si, ele não representa ambição ou vingança, somente a ideia de que uma mente suficientemente brilhante seria capaz de cometer o crime e passar incólume, pela certeza de seu brilhantismo e superioridade.

A grande questão é que mesmo para os tais homens virtuosos - ou para aqueles que apenas se julgam dessa forma mas não o são - o sofrimento e remorso pela transposição da conduta é maior do que eles podem suportar. Seja pelo ato por si, seja pelo temor constante de que outras pessoas os descubram.

Paralelo a isso, temos a visão de São Petesburgo e a classe humilde, quase indigente, que reside nos arredores de onde dorme (falar em vida é diferente) o personagem principal. Escrito em 1866, a história pode ser considerada mais uma prova dos excessos na época dos czares e da condição de miséria do populacho em geral, que seria responsável pela Revolução Russa. O pensamento de Raskolnikov precede até mesmo Nietzche e a ideia do "Übermensch", que pode ser atribuída ao escritor russo. Isso já descreve em quantos níveis embrionários esse livro cravou raízes.

A história da família de imigrantes, com um patriarca bêbado, uma mãe que viveu dias de glória na mocidade e três filhos do casal mais uma filha do bêbado, levada a se prostituir, corre paralela à de Raskolnikov. É basicamente a parte mais humana, em seu estado mais miserável, de recursos e moral, dentro do livro. Ao mesmo tempo, é de lá que surge a salvação por meio da fé.

O meio não fez o homem, como se afirma, pois este tinha meios de seguir uma vida razoavelmente tranquila. Há pessoas ordinárias e extraordinárias, segundo a tese do personagem principal. Ele perceberá que há ainda aquelas que nada mais tem em vida que as permita sonhar, mas vivem, por amor e por fé. Pessoas que, obstante toda a descrença ao redor, encontram tudo que lhes foi negado pelo mundo através da ideia de recompensa e de uma força que atua em prol dos homens justos, não necessariamente os ricos.

Leitura obrigatória para quem quer ver uma boa trama ambientada em como o que temos não diz de fato o que somos.




Livro: Crime e Castigo
Autor: Fiodor Dostoiévsk
Editora: Martin Claret
Páginas: 553
*Breno colaborou recentemente com o Fala Livros, com sua postagem sobre O Redentor, de Jo Nesbo. Quem quiser bater um papo, pode encontra-lo no twitter, como @breno_vox. Mais uma vez, obrigado pela colaboração, Breno!

Comente usando o seu perfil no Facebook!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Os Olhos do Dragão




"Os reis crescem e ficam enormes, e é por isso que têm de ter muito cuidado, porque uma pessoa muito grande pode esmagar outras menores com os pés, simplesmente andando, ou se virando, ou sentando de repente no lugar errado. Os maus reis fazem isso muitas vezes. Acho que mesmo os bons reis não conseguem evitar isso vez por outra."


Vocês já sabem que considero Stephen King um grande contador de histórias, com algumas de suas obras entre minhas favoritas. Encontrar um livro seu, iniciado com "Era uma vez..." foi, então, um achado bem interessante.

Os olhos do dragão é uma fábula, na melhor tradição dos contos de fadas, com alguns atrativos para fãs do sr. King. Acompanhando as desventuras do rei Roland e sua família, vítimas das maquinações do cruel e manipulador Flagg, o mago do reino, a história atravessa os anos. Sim, caso alguns de vocês tenham percebido, os nomes dos personagens são os mesmos da Torre Negra (lembram?). Bem antes da conclusão da Torre, Os Olhos do Dragão já flertava com a ideia de outros mundos - que viria a se tornar parte fundamental da saga dos pistoleiros.

O rei é um homem simples e, sob muitos aspectos, fraco, facilmente dominado pelo mago — seu principal conselheiro. Flagg tem planos sombrios, disposto a causar grande sofrimento para todo o reino e, durante muito tempo, não encontra oponentes... Até que, já com idade avançada, Roland encontra aquela que viria a ser seu grande amor, uma rainha de beleza, bondade e perspicácia sem igual.

Sasha, a rainha, afasta a influência maligna de Flagg, dando grande felicidade ao marido e ao reino, sendo amada por todos à sua volta. A felicidade torna-se ainda maior com a chegada do primeiro filho, Peter. O jovem demonstra, desde a mais tenra idade, possuir muito de sua mãe - incluindo um senso inabalável de justiça e caridade - longe da inépcia do pai. Peter é formidável, em tudo que desempenha, conquistando o respeito e admiração de todos. O reino parece caminhar, assim, para uma era de grandes realizações.

A situação, porém, começa a mudar, com o nascimento do segundo filho - e a morte prematura (e planejada, pelo antagonista), da rainha. Roland cai em desgraça e Flagg, uma vez mais, coloca-se em posição de tomar as decisões, manipulando o rei. Para completar, Thomas, o segundo filho, herdou muito do pai. É uma criança pouco habilidosa e facilmente conduzida pelo mago - seja por medo, seja por um amor que não encontra no pai. O pobre Thomas é condenado a viver à sombra de seu magnífico irmão, o que acaba por despertar um sentimento de inveja... Ideal para os planos de Flagg. Ainda resta, porém, um último oponente a ser removido do tabuleiro: Peter, o único que ousa se opor ao mago e enfrenta-lo.

O jovem, infelizmente, ainda não é um adversário à altura para o mago.

Falsamente acusado por um crime terrível, o primogênito do rei é aprisionado na inexpugnável torre do reino, condenado a cumprir uma sentença até a morte. Peter sabe que o reino corre grande perigo e, longe de se entregar ao destino, planeja escapar de sua pena e desmascarar o verdadeiro culpado. Seu plano, por toda a paciência necessária, lembra outro conto famoso do autor - Um Sonho de Liberdade, que também fez bastante sucesso no cinema.

É uma fábula, com toques sutis de fantasia e (Stephen King, lembrem) certas passagens aterrorizantes. Peter é o herói clássico, nunca desistindo, mesmo com todas as desgraças que se abatem sobre ele - o oposto perfeito do sombrio Flagg. Thomas também é vítima das tragédias familiares, mas, diferente do irmão, estas servem para enfraquece-lo. Grandes injustiças são cometidas, ao longo do caminho, mas tenta passar uma lição, como toda boa fábula.

O importante é perseverar, sempre. Claro, sendo Stephen King, isso não é, necessariamente, a garantia de um final feliz.


Título original: The Eyes of the Dragon
Editora: Objetiva
Autor: Stephen King
Ano: 1987
Páginas: 440

Comente usando o seu perfil no Facebook!

sábado, 8 de setembro de 2012

O Redentor




Pessoal,

Apresentando uma resenha encaminhada pelo meu amigo Breno Matos Pinheiro. Quem quiser bater um papo, pode falar com ele no twitter, @breno_vox. Botafoguense, ele é gente boa, mesmo sendo estudante de Direito. Obrigado pela ajuda, Breno! ;)
  
"Não se demora muito para ficar solitário quando se quer usar a própria cabeça para encontrar as respostas". 


Essa é a dica principal em "O Redentor", sequência thriller do bem sucedido escritor norueguês Jo Nesbo. Não necessariamente uma dica para o personagem principal, o detetive Harry Hole, mas basicamente para o leitor que for acompanhar a trama.
Dois crimes se fundem na história, um na Convenção do Exército de Salvação em 1991 e outro no centro de Oslo em 2003. Embora a autoria não seja a mesma, fato reparado pelo lapso de tempo e o modus operandi, não se pode perder de vista que são dois, e não um, os crimes a serem solucionados.
A temática de Natal no enredo do livro explica a frieza do assassino, que passou por provações piores; e a inquietude do inspetor-chefe, um genial investigador com problemas de bebida, que dessa vez se vê isolado e sem um superior a lhe dar cobertura, com a troca de comando na Polícia Criminal.
Nota-se também o paradoxo de uma instituição que vive pelo mundo a pregar a solidariedade, mas que cai nos erros mundanos não como instituição, mas por conta de alguns membros que enchem suas fileiras.
O maior destaque na escrita de Nesbo é soltar detalhes mínimos que passam despercebidos no momento de ação, sendo que aquilo mais enfatizado é a viseira na qual Jo prende o leitor. Não acreditar nem mesmo nas dicas do autor e permanecer isolado, procurando por si mesmo as respostas da intrigante trama, é o meio mais acertado para desvendar as motivações e os crimes.
E por último, mas não menos importante, não se trabalha com o perdão na história. Somente com a redenção.



Editora: Record
Autor: Jo Nesbo
Páginas: 420
Formato: 16 x 23 cm

Comente usando o seu perfil no Facebook!

sábado, 14 de julho de 2012

Precisamos Falar Sobre o Kevin



  Para gostar de "Precisamos Falar Sobre o Kevin'' é preciso ter espírito masoquista. Como bem sublinhado pela crítica, o leitor sofre uma bofetada a cada página e fica sedento por mais. Lionel Shriver, a escritora que ganhou espaço cativo na minha biblioteca, conseguiu prender-me nesse sádico regime por três dias consecutivos. Eu não era capaz de repousar a publicação na mesa. 

 A trama é hipnótica. Eva Khatchadourian é um espírito livre, cuja ocupação consiste em viajar pelo mundo a fim de preencher as págias de seu guia de viagem para mochileiros. Norte-americana descendente de armênios, é orgulhosa de suas raízes e não poupa críticas à nação que a acolhe. Para sua surpresa, enlaça-se com um típico ianque, exemplar caricato das expectativas e presunções que recaem sobre os habitantes da América do Norte. É para este homem ausente que dedica as cartas que compõem o livro.

 Instigada pelo marido e cheia de dúvidas e remorso, Eva observa sua barriga crescer enquanto o planeta aguarda a chegada de mais um bebê. É Kevin, que, já na sala de parto, demonstra seu descontentamento e fúria. Choros incessantes, falta de apego aos (relutantes) carinhos maternos e sessões de puxões de cabelo aplicadas nas babás é só o começo.

 Kevin é diferente, charmoso, distante, inteligente como o diabo e tão perverso quanto o tesmo. Propenso aos mais diabólicos e sutis castigos, Kevin elege Eva como objeto de desdém, desprezo e raiva. Muita raiva. Algumas passagens despertam o mais puro sentimento de pena e aflição. A trama se desenvolve desamente, sem pausas para respirar. Enquanto somos espectadores da degradação do casamento de Eva e da ruína de sua sanidade, somos apresentados ao clímax - a chacina que Kevin prome na escola, ao liquidar colegas no ginásio. Sem demonstrar piedade ou remorso - ao contrário, gaba-se de seu feito, como se fosse um comportamento digno de nota.

Resumidamente, se você gosta de um bom thriller psicológico, recomendo que vá às pressas comprar seu exemplar de "Precisamos Falar Sobre o Kevin.'' A autora nos brinda não apenas com um belo banho de sangue, mas com reflexões profundas sobre  sociedade, matrimônio, expectativas, gravidez, política e, principalmente, sobre o relacionamento de uma mãe com um sociopata.

Título: Precisamos Falar sobre o Kevin
Autora: Lionel Shriver
Páginas: 463


Obs: Há um filme homônimo, muito bem dirigido e estrelado por Tilda Swinton.

Comente usando o seu perfil no Facebook!