quinta-feira, 17 de maio de 2012

Clube da Luta



1. Você não fala sobre o clube da luta. 
2. Você não fala sobre o clube da luta. 
3. Quando alguém diz "pare" ou fica desacordado, mesmo que esteja fingindo, a luta acaba. 
4. Apenas duas pessoas por luta. 
5. Uma luta por vez. 
6. Sem camisa e sem sapatos. 
7. As lutas duram o quanto tiverem que durar. 
8. Se esta é a sua primeira noite no clube da luta, você deve lutar.


Você nunca imaginaria que sabão pode ser tão perigoso.

Chuck Palahniuk se tornou, rapidamente, um dos meus autores favoritos. Seu Cantiga de Ninar, aliás, foi uma das obras que me inspiraram nesta empreitada do Fala Livros. Seguiram-se Monstros Invisíveis, igualmente arrebatador, o angustiante Assombro e alguns outros... Agora, o clube está de volta, depois de muito tempo afastado das livrarias.

Clube da Luta foi o primeiro romance de Palahniuk, e o prenúncio de tudo que estava por vir. Estão ali os cortes, as informações totalmente inesperadas e totalmente relevantes (isso, se você quiser fazer nitroglicerina ou napalm caseiro), o humor negro, a crítica ao bom e velho American Way of Life e, claro, a vertiginosa reviravolta final. Tyler Durden tornou-se o ícone de uma geração, o líder supremo, o anti-herói, o modelo a ser seguido. Ironicamente, tornou-se pop. Marla Singer, a culpada de tudo, é o que as meninas más seriam, se tivessem a coragem de ser meninas más - e está pouco se importando com tudo isso. Robert Paulson é o mártir, merecendo seu nome, na morte. O Projeto Desordem é Destruição não busca ser a solução, mas o fim de tudo. Niilismo, a descrença absoluta. Mas, você não fala sobre o Projeto Desordem e Destruição.

Subversivo, da primeira à última linha, o Clube cresceu, talvez muito além do que o próprio autor ousou sonhar. O filme, obviamente, tem um papel fundamental em todo o "culto" que se formou, em torno deste manual de auto-ajuda do homem moderno (haha). Como não poderia deixar de ser, o sucesso causa um certo estranhamento, em Palahniuk - ele comenta sobre isso no posfácio e em outro livro seu, Mais Estranho Que a Ficção. Não é exatamente um desconforto, mas uma sensação esquisita.

O Clube da Luta pode mudar a sua vida? É até possível, mas, afinal, qualquer livro pode fazê-lo. Algumas questões são levantadas, isso é bem verdade. Realmente precisamos de tudo que acreditamos precisar? Somos apenas escravos, observando os catálogos e agindo de acordo com o que a moda nos induz? O que é realmente importante? E, até onde precisamos descer, para entender isto realmente? A fúria e as frustrações precisam ser descarregadas de alguma maneira. O clube é só uma outra forma de fazer isso, tipo uma reunião de senhoras para fazer tricô. 

No fim das contas, talvez seja apenas uma estranha história de amor. 

Cuidado com garçons.



"Há uma categoria de homens e mulheres jovens e fortes que querem dar a própria vida por algo. A propaganda faz essas pessoas irem atrás de carros e roupas de que elas não precisam. Gerações tem trabalhado em empregos que odeiam para poder comprar coisas de que realmente não precisam. Não temos uma grande guerra em nossa geração ou uma grande depressão, mas na verdade temos, sim, é uma grande guerra de espírito. Temos uma grande revolução contra a cultura. A grande depressão é a nossa vida. Temos uma depressão espiritual."



Título Original: Fight Club
Editora: Leya
Autor: Chuck Palahniuk
Ano: 1996
Páginas: 270

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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Armário Sem Portas




Pessoal, 

É com muito orgulho que publico mais uma resenha enviada pela minha amiga Leila Frast - que já dividiu conosco sua visão do Memorial do Convento e Comer Rezar Amar. Muito obrigado, Leila!



Um livro para mim é um passaporte.

Um passaporte para outro lugar, outro mundo, outra vida, outra visão.
Uma biografia normalmente é algo que lemos de pessoas conhecidas, normalmente públicas, que nos desvendam seu íntimo e nos aproximam do ídolo, do ser admirado seja em que área for.
Quando me deparei com uma biografia de duas pessoas (já era inusitado) e ainda por cima escrita de forma tão bem humorada, tive uma surpresa muito grata.

A biografia dupla, escrita a quatro mãos, deixando bem claro as partes em que cada uma escreve, e que foram escritas em conjunto.
Partes que respondem uma a outra, como se ambas estivessem ali, contando a historia para você, torna este livro mais especial ainda.
Normalmente se espera que um livro que aborda o tema de uma relação homossexual tenha partes pesadas, de rejeição, de embates com o mundo que rejeita o diferente, e o que se encontra não é nada disto.

O livro conta como duas pessoas muito diferentes se conheceram se apaixonaram e vivem até hoje (já esta no forno o livro 2) diariamente alimentado e alimentadas por este amor que as uniu desde o momento que se conheceram (deixando claro que isto se deu quando a Karla determinou que seria).
A Karla e a Pya nos abrem seu mundo mostrando como construir uma relação é um exercício delicado, de paciência, de mútuos cederes, mas principalmente de amor.

Infelizmente este livro só pode ser adquirido pelo site (www.armariosemportas.com.br), não esta disponível em livrarias.
A vantagem é que vem autografado!


Leila



Autoras: Karla Lima e Pya Pêra
Ano: 2006
Páginas: 260

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terça-feira, 1 de maio de 2012

Irmão Odd



"Por sete meses, o mosteiro fora um ponto imóvel no rio, um redemoinho no qual eu girava, mas com uma margem familiar sempre à vista. Agora, porém, a verdadeira força da correnteza reassumia o controle. Furiosa, incontrolável e irascível, levava consigo minha sensação de paz e me carregava para o meu destino uma vez mais."


Sempre é legal reencontrar um bom amigo - e Odd Thomas é justamente o tipo de cara que você gostaria de ter como amigo. Pra quem ainda não conhece, este carismático rapaz é um excelente cozinheiro - ok, de lanchonete, sem requinte, mas ainda assim, muito bom no seu trabalho. Esta, porém, não é sua maior peculiaridade. Odd é capaz de ver os espíritos dos mortos. Eles não podem falar, é verdade, mas podem "aponta-lo" para a direção a ser seguida, para a solução de seus assuntos inacabados.

Existem, porém, outras aparições que se manifestam, além dos fantasmas dos que se foram. Odd os chama de bodachs - espíritos negros, disformes, que, aparentemente, alimentam-se de grandes tragédias e sofrimento. O surgimento de um bodach sempre é o prenúncio de algo ruim que está por vir... e, quando muitos rondam um lugar, é sinal de que o futuro próximo reserva muitas mortes, das piores formas possíveis. Ainda se recuperando de sua grande perda, relatada em sua primeira aventura (Odd Thomas, se você ainda não leu, é altamente recomendado) e dos eventos também perturbadores do segundo livro (Odd Para Sempre, valem as observações anteriores), ele seguiu num auto-exílio, até a Abadia de São Bartolomeu - que, além de mosteiro, é um abrigo para crianças com sérias deficiências físicas ou mentais. Aceito como hóspede entre os monges e freiras, Odd precisa fazer o possível para impedir a tragédia anunciada pelos bodachs.

Irmão Odd, terceiro livro da série do peculiar Odd Thomas, pode ser lido, mesmo por aqueles que não leram os anteriores - mas, neste caso, estragaria algumas surpresas, além de não proporcionar uma empatia tão legal com o personagem; algo que o primeiro livro faz espetacularmente. Coadjuvantes das outras histórias também quase não aparecem (exceto, é claro, pelo ilustre Rei do Rock 'n Roll), mas os monges e freiras do lugar também são bem simpáticos e com algumas histórias interessantes no passado. 

Neste terceiro volume, Dean Koontz demonstra mais uma vez o quanto gosta da complicada Física Quântica, como já fez em Do Fundo Dos Seus Olhos (eu sei, estou devendo um post deste, há bastante tempo). Os resultados podem parecer um pouco estranhos, mas, o que se poderia esperar, de um livro em que o protagonista já é estranho (trocadilho infame com a tradução do nome do personagem, "Odd")? 

No fim, o maior destaque de Odd Thomas não são os seus poderes psíquicos, nem sua capacidade de fazer panquecas, mas o seu grande coração e carisma.


Título Original: Brother Odd
Editora: Record
Autor: Dean Koontz
Ano: 2006
Páginas: 415

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sábado, 21 de abril de 2012

Crime



"Cinquenta por cento das pessoas são honestas. Você pode esquecer tudo sobre elas. Elas podem cometer pequenas transgressões, mas basicamente vivem suas vidas fazendo o que outras pessoas lhes dizem para fazer. As outras 50 por cento estão divididas entre as malvadas, cerca de 10 por cento, e as fracas e estúpidas, outros 40 por cento. Aqui novamente, as malvadas não eram tão importantes no cálculo; elas estavam lá simplesmente para serem caçadas. O grupo-chave era constituído pelas pessoas fracas e estúpidas. Elas eram os principais perpetradores e vítimas do crime."


Irvine Welsh, inevitavelmente lembrado por Trainspotting, consegue me surpreender a cada novo livro. Sim, ele continua especialista em retratar indivíduos extremamente habilidosos em detonar a própria vida. Sim, drogas e álcool estão envolvidos, em quantidades quase letais. Sim, há os tipos ruins e, sua contraparte, tipos que não podem ser classificado exatamente como bons. E, sim, coisas ruins acontecem às pessoas boas. Ou seja, mais do que tornou o autor famoso. A história, porém, não lembra em nada Renton, Sick Boy, Spud e companhia. Ela consegue, à sua maneira, ser ainda mais pesada.

Deixando sua Escócia natal (onde a maioria de seus livros foram ambientados), a ação acontece numa Flórida ensolarada - onde o detetive Ray Lennox vai com sua noiva, para passar férias e se recuperar de um caso complicado. Lennox pertence à divisão de crimes hediondos, em Edimburgo. Na América, porém ele descobre que nem tudo é o paraíso que esperava encontrar. O submundo em que se vê envolvido é triste e perigoso, cercado justamente pela escória que ele persegue todos os dias.

Tudo se complica rapidamente. Lennox se vê sozinho, atordoado, numa cidade estranha e obrigado a proteger uma criança correndo perigo. Não pode confiar em ninguém, muito menos na polícia. Enquanto foge, ele passa a confrontar sua própria história - seus fantasmas do passado que, revelados, mostram como o policial chegou a ser quem é. A perseguição fica mais e mais tensa, um thriller difícil de deixar de lado. A narrativa é pesada. Lennox descobre a verdadeira natureza de seus perseguidores, uma rede muito bem estruturada de pedófilos. A criança que ele protege deixa de ser uma vítima, para se tornar uma ameaça em potencial.

Welsh deixa o seu recado, sem fugir de uma verdade inconveniente. No final, os papéis ficam bem claros - ao menos para Lennox. Há o mal, e ele deve ser combatido.


Título original: Crime
Editora: Rocco
Autor: Irvine Welsh
Ano: 2008
Páginas: 414

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terça-feira, 27 de março de 2012

Letratorta



"Da varanda do décimo andar, o menino observa Aviam ganhar a cidade, e Aviam observa telhas rachadas, lajes infiltradas, cachorro em sono profundo, assalto, trabalhadores, mangueira carregada de frutos atacada por moleques, mais diversão que fome." 

  
A memória costuma pregar algumas peças. Estava tentando lembrar como conheci o Rodrigo, mas não consegui, de jeito nenhum. O que sei é que ele é uma amizade de mais de dez anos e que já passamos por umas boas, juntos - vitórias, derrotas, bebedeiras, até animação de festas infantis (por favor, não comentarei esse assunto, não insistam). Posso dizer que ele é um grande amigo e boa pessoa, mesmo sendo fã de carteirinha de Los Hermanos (sem pedras, pessoal).

Tudo isso serviu para reforçar minha alegria, ao ter em mãos um livro escrito pelo Rodrigo. E, devo dizer que fui completamente surpreendido. Não é que eu duvidasse da capacidade dele de fazer algo bom, é que o livro é muito bom. Desde a primeira página, você é capturado, tornando o livro quase impossível de ser deixado de lado.

Já comentei antes o quanto gosto de contos, da habilidade de contar uma boa história, com um limite reduzido e, ao final, deixar um gosto de "quero mais". Imaginem, então, os minicontos lançados pelo Letratorta, um atrás do outro, como aquela caixa de chocolates que você não consegue parar de devorar. Rapidamente, a sensação é de cumplicidade, de se tornar um observador de cada esquina, um certo voyeurismo de uma Niterói cada vez mais familiar. A linguagem utilizada pelo autor ajuda a criar esse clima informal, de conversa entre amigos, de um "causo" bem contado - sem esticar demais, sem demorar pra ir embora, deixando saudade. Claro, bate a curiosidade de acompanhar algumas histórias um pouco mais, saber o que acontece depois, mas o Letratorta não deve correr o risco de ter nem uma vírgula alterada. Suas palavras estão perfeitas, do jeito que estão.

Só me resta torcer, para que este seja o primeiro de uma longa carreira literária, de muitas letras, tortas ou não. E, claro, guardar um grande orgulho, de um bom amigo.  



Título Original: Letratorta
Editora: Navilouca Livros
Autor: Rodrigo Raro
Ano: 2011
Páginas: 214

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sábado, 24 de março de 2012

Mais Estranho Que A Ficção



"Neste verão, um jovem me puxou para um canto numa livraria e disse que adorava o que eu tinha escrito em Clube da luta sobre os garçons emporcalharem a comida. Pediu que eu autografasse um livro e disse que trabalhava num restaurante cinco estrelas onde 'batizavam' os pratos das celebridades o tempo todo."


É um clichê mas, olhando de perto, ninguém é normal. As pessoas são esquisitas. E, Chuck Palahniuk consegue ser esquisito numa escala à parte. Por que? Talvez seja o olhar cínico sobre o mundo à sua volta, sua forma de captar cada ação, cada pessoa - o que, numa estranha contradição, faz com que o autor pareça bem normalzinho, até.

Palahniuk se tornou rapidamente um dos meus autores favoritos (podem confirmar aqui, mas tenham cuidado). Seu humor negro, as situações absurdas que retrata, seus "ataques" velados à sociedade, realmente atingem como um soco no estômago - a exemplo da propaganda utilizada para seu famoso Clube da luta. Assim, o que esperar deste Mais Estranho que a Ficção, sua primeira coletânea de não-ficção? A orelha do livro (eu já disse que não gosto de ler essa parte antes, mas sem problema em ler depois) resume assim: "o autor reúne textos, crônicas e artigos escritos ao longo da carreira e permite entrar em seu mundo, conhecer parte de seu processo criativo, de suas lembranças e, sobretudo, de seu olhar aguçado sobre o ser humano". Ok, pode ser por aí... e, em alguns momentos, entrar no mundo de Chuck Palahniuk pode ser bem perturbador.

Situações praticamente inacreditáveis, como o festival erótico ou a corrida de demolição que abrem a coletânea, ou o homem que planeja construir um foguete no quintal de casa - são todos muito, muito estranhos - e são reais. Os artigos com Juliette Lewis e Marilyn Manson são fascinantes, mostrando figuras do showbiz bem normais, em sua esquisitice. Chegam a ser adoráveis, carismáticos.

Chuck realmente mostra algo de seu processo criativo, sua forma de observar, catalogar e, algum dia, construir. Deixa evidente que as tragédias com seu pai e seu avô o afetaram. Comenta sobre autores de que gosta, sobre um corte de cabelo mal sucedido, sobre conhecer Brad Pitt e usar isso como moeda de troca.

O menor ensaio do livro foi, para mim, o mais perturbador. Macaco pensa, macaco faz (do qual extraí o trecho lá do começo) relata situações em que as pessoas são influenciadas pela ficção, para ações reais. Isso é perigoso. Muitos acreditavam que clubes da luta existiam de verdade e, então, passaram a surgir. Atos de transgressão, por pura e simples transgressão, passaram a ser cometidos, ferindo pessoas. Vejam se este trecho não é perturbador: "(...) toda vez que vemos que alguma coisa é possível, fazemos acontecer. Tornamos inevitável. Até Stephen King escrever sobre alunos fracassados que matam seus colegas, não existiam matanças em escolas. Mas será que Carrie e Rage tornaram isso inevitável?". Alguns, não conseguem diferenciar o que é real. Ou, como Palahniuk encerra o ensaio, por enquanto, só fingimos que não somos nosso próprio pior inimigo.      



Título Original: Stranger than ficcion
Editora: Rocco
Autor: Chuck Palahniuk
Ano: 2004
Páginas: 272

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terça-feira, 20 de março de 2012

Lançamento Navilouca: Eu Prefiro Melão



Pessoal,



O aviso vem um pouco em cima da hora, mas é imperdível! Nossa editora parceira, a Navilouca Livros, vai lançar amanhã  Eu Prefiro Melão - coletânea de textos publicados no blog de mesmo nome, do autor Vitor de Oliveira. Vejam o convite, pelo editor da Navilouca (e também autor), Rodrigo Rosa:



Atenção naviloucos noveleiros (ou não!) do Fala Livros!
 
Estão todos convidados para celebrar mais um lançamento da Navilouca Livros: Eu prefiro melão – Melhores momentos de um blog televisivo, de Vitor de Oliveira.
Aguardamos vocês no Galeria Café, dia 21, quarta-feira, com coquetel das 21h30 às 23h. Depois, festa X-Tudo!
Rua Teixeira de Melo, 31, lojas E e F, Ipanema.
 
Sobre o livro e o autor:
 
Após o reconhecimento como um dos mais acessados e respeitados blogs que abordam a história e a atualidade das novelas brasileiras, o Eu Prefiro Melão agora virou livro! Em Eu prefiro melão – Melhores momentos de um blog televisivo, Vitor de Oliveira apresenta um coletânea de textos marcantes e informativos, que despertam as lembranças mais agradáveis de grandes clássicos como “Roque Santeiro”, “Vale Tudo” e “Tieta”.
As personagens inesquecíveis não ficaram de fora. Vilãs como Maria de Fátima, Odete Roitman, Laurinha Figueiroa, Nazaré Tedesco e muitas outras arrepiaram milhões de telespectadores e povoam até hoje o imaginário popular. E o que dizer das helenas de Manoel Carlos? Vitor brincou com seus leitores e, em conjunto, elegeram a mais marcante de todas.
Eu prefiro melão – Melhores momentos de um blog televisivo reúne críticas e opiniões de quem vive no mundo das novelas: Vitor é roteirista e colaborou no recente remake de “O Astro”. O respeito conquistado por seus comentários no mundo virtual agora ficará registrado para sempre em nossa literatura em mais um lançamento da Navilouca Livros.
 
EU PREFIRO MELÃO – MELHORES MOMENTOS DE UM BLOG TELEVISIVO, de Vitor de Oliveira
138 páginas
Gênero: Crônicas
Formato: 14x21cm
Preço: R$ 28,00
ISBN: 978-85-65114-06-6
Disponível para compra nas melhores livrarias virtuais a partir de 21 de março de 2012

“Que bom ver um jovem com tanto conhecimento de teledramaturgia brasileira.” – Betty Faria

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sábado, 17 de março de 2012

RELATOS- UM ADVOGADO NA DITADURA




Eu sempre gostei muito de História, embora tenha predileção por temas específicos. As Guerras Mundiais, a Revolução Russa e a Guerra Fria são exemplos de períodos históricos que ganharam espaço na minha biblioteca particular. Em relação ao passado do nosso País, o período da ditadura sempre me provocou interesse.

E o interesse só aumentou quando ouvi relatos de familiares que participaram ativamente na vida política do Brasil nestes anos de escuridão. Assim, qualquer livro que verse sobre o assunto faz minha mão coçar. Não foi diferente com "Relatos- Um advogado na ditadura". Não sei se foi o viés jurídico, histórico ou o preço que me seduziu - R$5,00 em num sebo de rua.

O livro tem o prefácio de Evandro Lins e Silva, penalista importante e ex Ministro do Supremo Tribunal Federal. A obra é, em verdade, coletânea de memórias do autor, que relata seu dia a dia antes, durante e depois do Ato Institucional nº 5, um dos grandes responsáveis por inibir duramente as liberdades individuais.

Os relatos são claustrofóbicos e dão o tom de paranóia daquele período. Qualquer um, por qualquer leve motivo, podia ser retirado de sua residência à força e levado para os órgãos de segurança do governo. Lá, os "subversivos" eram submetidos a longas torturas para que "confessassem" seus crimes. Tudo dentro da lei.

A leitura é rápida, simples e todos os termos jurídicos são pacientemente explicados, sem delongas e em lingaguem popular. É uma pérola, sem dúvida, para todos os que se identifiquem com minha curiosidade pela História do Brasil recente.

Nome: Relatos - Um advogado na ditadura
Autor: Antonio Carlos Barandier
Editora: J. Di Giorgio
Ano: 1994


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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O Forte



Olá, pessoal! Estou de volta, após um breve recesso, para desfrutar da companhia de vocês por mais um ano. Espero que a caminhada seja tão prazerosa pra vocês, quanto é para mim!


Começando o ano com um dos meus favoritos, Bernard Cornwell, uma vez mais, dá vida a uma importante batalha inglesa - com maestria sem igual, como só ele é capaz. O Forte, porém, tem um diferencial. Suas outras obras deixavam claro qual era o lado certo, para quem o leitor deveria dedicar sua torcida (ainda que este lado não fosse necessariamente "bonzinho"), e isso não acontece aqui.

A batalha em Majabigwaduce, pequeno vilarejo de Massachussetts, foi uma das mais dramáticas e memoráveis da Guerra de Independência americana. No ano de 1779, três anos depois da declaração de independência de sua antiga colônia, uma pequena guarnição inglesa retoma o vilarejo citado (cujo nome ninguém sabia dizer exatamente o que significava), com um porto de grande importância estratégica. Imediatamente, iniciam a construção de um forte, enquanto aguardam, esperançosos, a chegada de reforços. Ou, o mais provável, o contra-ataque inimigo.

A resposta americana veio primeiro, de forma avassaladora. Reunindo uma expedição militar sem igual, com uma enorme frota - e com ordens de "fazer todo o possível para aprisionar, matar ou destruir toda a força do inimigo". Com uma estrutura ainda precária (devido a resposta rápida dos que consideram rebeldes) e em número muito inferior, os ingleses, ainda assim, resistem. Semelhante a um jogo de xadrez, cada lado movimenta suas peças, com pouco sucesso ou fracasso, o que torna a situação cada vez mais desesperadora para os americanos - pelos custos da expedição e por não conseguirem sobrepujar o inimigo. Para os ingleses, cada dia de resistência é considerado uma vitória.

Ainda que sejam destacadas ações equivocadas de alguns comandantes, os dois lados são mostrados com igual respeito, defendendo duas causas que podem ser consideradas justas. Vá lá, em alguns momentos Cornwell pode até tender para seu lado inglês, mas isso não chega a ser uma parcialidade; manter o Forte George durante o longo período do cerco realmente foi um feito notável. Os americanos, porém, nunca são retratados como vilões, e alguns de seus oficiais são extremamente valorosos. A conversa entre o general inglês McLean e seu oponente, o general Wadsworth (com um trecho destacado abaixo) é um momento muito interessante, em que os comandantes demonstram um profundo respeito um pelo outro.

A Nota Histórica, no final de cada obra de Cornwell, é sempre um dos meus momentos favoritos - quando o autor descreve suas fontes, expandindo o panorama geral da história, ou revelando suas pequenas alterações, para torna-la mais emocionante. Neste ponto, O Forte é bem servido, com várias páginas de observações.

Não tem heróis tão memoráveis quanto Derfel, Uthred ou Sharpe, de suas outras obras, mas a guerra nem sempre é feita de heróis.


" - Este é o serviço do soldado, general, limpar o esterco que os políticos fazem. 
- É o que você está fazendo aqui? 
- Claro que é. O seu povo teve um desacordo com o meu, e você ou eu, general, poderíamos ter conversado até chegar a um acordo, mas nossos senhores e comandantes fracassaram em concordar. Por isso agora devemos decidir a discussão deles de um modo diferente."


  
Título Original: The Fort
Editora: Record
Autor: Bernard Cornwell
Ano: 2010
Páginas: 487



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domingo, 11 de dezembro de 2011

Um Conto de Natal



"- Três espíritos virão visitar você - disse o Fantasma."
 
 
Quem não conhece a história atemporal, contada por Charles Dickens?
 
Na véspera de Natal, somos apresentados ao velho sovina, ranzinza e solitário Ebenezer Scrooge. Para ele, o Natal e tudo relacionado são uma enorme perda de tempo, apenas um dia de trabalho desperdiçado, em que se vê forçado a dar folga ao seu único empregado. Scrooge tem dinheiro, bastante dinheiro, mas não o aproveita de maneira alguma. Não tem amigos - e afasta qualquer um que tente se aproximar. Seu sobrinho, que sempre insiste para que o tio participe de sua ceia, é rechaçado pelo velho rabugento. Cavalheiros, solicitando doações para os pobres, são postos para fora do escritório, horrorizados com as propostas de Scrooge. Nada, enfim, parece comover seu coração - ainda mais gelado que a fria noite de Londres.
 
Ao anoitecer, porém, tudo muda.
 
Ebenezer recebe a visita de seu falecido sócio, Marley. Ele não parece nada bem, em seu pós-vida; preso por suas próprias ações... e, faz um alerta para Scrooge: seu tempo está se esgotando. Ele receberia a visita de três espíritos - do Natal Passado, Presente e Futuro. Cada um deles, à sua própria maneira, mostra o reflexo das ações do velho ranzinza, desde um passado de inocência, até o sombrio futuro. O resto, é história.
 
Imortalizado em diversas versões, desde o Tio Patinhas até Bill Murray, o conto de Dickens permanece atual, mesmo passados quase 170 anos de sua publicação original, em forma de periódico. Ajudou a consolidar sua fama, agradando desde os mais pobres, que se reuniam, aguardando o próximo capítulo, até a sociedade burguesa em ascensão.
 
Vale a pena ler, mesmo conhecendo a história? Obviamente. A linguagem de Dickens é fluida, narrada de forma sublime. Um Conto de Natal é uma história de redenção, bela o bastante para encantar crianças, adultos e, até mesmo, velhos rabugentos.
 
Um Feliz Natal a todos!!!
 
 
  
Título Original: A Christmas Carol
Editora: L&PM Pocket
Autor: Charles Dickens
Ano: 1843
Páginas: 146
 

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Letratorta - lançamento e resultado da promoção




Pessoal,

Passando com um pouco de atraso, para agradecer a todos que participaram da nossa promoção, em conjunto com a Navilouca Livros.

Quem acompanha a nossa página no Facebook (se ainda não está lá, não perca tempo! Veja aqui), já sabe que o sortudo que vai levar pra casa um exemplar autografado do Letratorta é o Gilmar Albuquerque - que prometeu mandar uma foto, assim que estiver com o livro em mãos.

E, por falar do Letratorta, a festa de lançamento foi bem bacana! Na foto, vocês podem me ver bem feliz, com meu exemplar autografado em mãos, ao lado do meu amigo - e autor do livro! - Rodrigo Raro. Esperamos que seja a primeira de muitas obras, de uma carreira de grande sucesso! Ah, sim, podem esperar, para breve, nossos comentários sobre o Letratorta, aqui no Fala Livros.

Um abraço a todos!


Julio



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terça-feira, 29 de novembro de 2011

A Fúria dos Reis



"Gentil Mãe, de clemência fonte,

nossos filhos livre da disputa,
pare espadas, pare flechas,
deixe-os ver um melhor dia.
Gentil Mãe, das mulheres força,
ajude nossas filhas nesta luta,
acalme a ira, dome a fúria,
ensine a todos outra via."


O que esperar da sequência da Guerra dos Tronos, depois de todo o oba-oba gerado em torno da série? Mais do mesmo. Isso é algo ruim? Absolutamente não! Conforme a história toma forma, seus cenários e personagens adquirem vida própria, afastando As Crônicas de Gelo e Fogo de qualquer comparação.

Os eventos do primeiro volume tem suas consequências diretas sobre a vida de todos, com batalhas assolando o território de norte a sul - quando diversos reis erguem-se, na disputa pelo Trono de Ferro. Devo destacar que considero o autor, Sr. Martin, um psicopata genial: ele não tem pena de sacrificar seus personagens, qualquer que seja, em prol da história. Prepare-se para ama-los, odiá-los, torcer por e contra eles - e, não raramente, é a mesma figura que desperta essas sensações. Não adianta lamentar: alguns morrerão. O realismo imposto torna a fantasia crível, por mais contraditório que possa parecer.

É muito interessante como uma espécie de névoa de guerra permeia as batalhas. Não existem informações concretas, apenas versões sobre o que acontecem nos campos. A empatia, com a mãe que reza por notícias dos filhos, ou com o comandante que arrisca tudo em defesa de suas crenças, é inevitável. A Fúria dos Reis tem momentos de pura angústia, em que é impossível não ler mais um capítulo - e mais outro, até saber o que aconteceu com o personagem, uma vez que a história é contada por diversos pontos de vista.


Assim como alguns personagens do primeiro livro não aparecem por aqui, temos novas figuras surgindo; ou alguns conhecidos ganhando mais destaque. A Fúria... é um prato cheio, para quem gostou do fascinante Tyrion Lannister, e toda sua astúcia. Os atos de heroísmo são, em sua maioria, involuntários ou desesperados - mas estão lá. O bastardo Jon Snow é responsável por muitos deles, bem como a pequena e valente Arya.

A saga, enfim, é enorme. Uma coleção de histórias paralelas que, em determinado momento, convergem, para contar algo muito maior. E, apesar de todo o realismo comentado, o elemento sobrenatural está presente, sim... e muito bem representado. É uma narrativa sobre crescimento - de seus heróis, vilões, reis e dragões.



Título original: A Clash of Kings
Editora: Leya
Autor: George R. R. Martin
Ano: 2011 (edição brasileira)
Páginas: 656 

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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Sorteio: Letratorta



Olá!

Conforme prometido, a nossa nova parceria com a Navilouca Livros já está rendendo frutos: serão sorteados dois exemplares do livro Letratorta, autografados pelo autor Rodrigo Raro!

Os sorteios serão pelo Facebook - um na página do Fala Livros e outro na página da Navilouca. Para participar, basta curtir as páginas e, no link promoções, clicar em "Quero Participar". Quer dobrar suas chances de ganhar? Participe dos dois sorteios!!!

O lançamento do livro será no dia 30/11, na choperia Brazooka, na Lapa - Rio de Janeiro (mais detalhes no site da editora). Quem quiser aparecer por lá, pode aproveitar para nos  conhecer e também o pessoal da editora - e, se tiver sorte, retirar seu exemplar em mãos!


Um abraço e boa sorte!





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